Por RODRIGO DIAS
Moradores do Curiaú, em Macapá, vivem um impasse preocupante com as crianças: a Escola Municipal Joanna Santos, situada no coração do quilombo, não oferece vagas suficientes para os alunos da própria comunidade.
Pais de crianças em idade escolar denunciam que, desde o ano passado, tentam matricular seus filhos no 1° ano, mas enfrentam a negativa da instituição.
Segundo eles, a escola alega insuficiência de salas de aula, uma justificativa que não convence a comunidade.
“Antes, tínhamos duas turmas de primeiro ano, agora só há uma, que não atende a demanda”, relata Cassiano Ramos da Silva, morador da comunidade Casa Grande e pai de uma menina de 6 anos que está fora da escola.
“Enquanto isso, aumentaram o número de turmas de 5º ano, sendo que esses alunos poderiam estudar na escola estadual José Bonifácio. Precisamos de vagas para nossas crianças”, completa.
A situação é ainda mais grave diante do que os pais descrevem como descaso da Secretaria Municipal de Educação (Semed).
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Escola foi inaugurada em 2020 …
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… pelo entãos prefeito de Macapá, Clécio Luís
“Não recebemos nenhum esclarecimento, nenhuma resposta”, reclama Cassiano.
Diante da falta de diálogo e da urgência em garantir o direito à educação dos seus filhos, os pais decidiram acionar o Ministério Público, na esperança de que o órgão possa intermediar a resolução do problema.
“É um absurdo ver nossos filhos fora da escola, enquanto outras crianças de fora do quilombo ocupam as vagas”, desabafou uma mãe que preferiu não se identificar.
A equipe de reportagem tentou contato com a direção da Escola Municipal Joanna Santos e com a Secretaria Municipal de Educação para obter um posicionamento sobre o caso, mas não obteve sucesso até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação.