De Randolfe a Bolsonaro: após ‘guinada ideológica’, Caetano mira Câmara Federal

O parlamentar teve passagem por partidos de esquerda como a Rede Sustentabilidade e agora vai se filiar ao PL
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Por SELES NAFES

O vereador licenciado de Macapá, Caetano Bentes, atual presidente da Fundação Municipal de Cultura (Fumcult), deu uma guinada significativa em sua trajetória política. Após passar por legendas de centro e de esquerda, como PCdoB e Rede Sustentabilidade, ele agora prepara sua filiação ao PL, partido identificado com o bolsonarismo.

Bentes está filiado ao Podemos, legenda comandada no Amapá por Rayssa Furlan, mas aceitou o convite para integrar o grupo de dirigentes locais do PL. Forjado nos movimentos estudantis, ele iniciou a carreira como político em 2008 filiado ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Entre 2014 e 2016, ficou no centrão filiado ao PSC. Foi em 2016 que conquistou o primeiro mandato de vereador. 

Em 2020, filiado à Rede Sustentabilidade, foi reeleito já no grupo do senador Randolfe Rodrigues quando este ainda liderava a legenda no estado. No ano anterior, ele chegou a concorrer internamente pela indicação de candidato a prefeito de Macapá. Em 2022, já no Republicanos (de volta ao Centrão), ele tentou sem sucesso a cadeira de deputado federal. 

Reeleito em 2024, desta vez pelo Podemos, o vereador quer tentar de novo uma vaga de deputado federal em 2026, desta vez contando com a estrutura política do prefeito Antônio Furlan (MDB).

Padrão na política do Amapá

A trajetória eclética de Caetano Bentes não é um caso isolado na política local. Esse alinhamento com a gestão municipal reforça a lógica de alianças pragmáticas, em que os cálculos eleitorais se sobrepõem à coerência ideológica, um padrão no Amapá, estado onde o eleitorado não costuma votar em projetos ou ideologias, mas em candidatos e grupos mais performáticos e cativantes.

Como presidente da Fumcilt. Foto: Carolina Machado

Em agosto de 2019, chegou a disputar internamente a indicação para ser candidato a prefeito pela Rede

A dinâmica eleitoral do estado tem se caracterizado historicamente pela fluidez partidária e pela centralidade das figuras pessoais em detrimento de programas ou ideologias. Em um cenário em que o eleitor tende a valorizar vínculos comunitários, proximidade e simpatia, mais do que linhas programáticas rígidas, mudanças de espectro ideológico raramente cobram um preço político alto.

Se for eleito, ele sabe que o cenário em Brasília é bem diferente. No Congresso, as bancadas são divididas e atuam de acordo com o especto. 

Seles Nafes
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