Jornalista acionará Corregedoria da PC por conduta de delegado que isentou prefeito

Elogio feito pelo delegado em redes sociais ao prefeito em abril deste ano; defesa de Heverson Castro e Iran Fróes afirma que relatório foi “tendencioso e político”
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Por SELES NAFES

O jornalista Heverson Castro confirmou que irá acionar a Corregedoria da Polícia Civil do Amapá, nesta quinta-feira (21), para investigar a conduta do delegado Raphael Paulino, responsável pelo relatório final do Termo Circunstanciado que apurou o episódio da gravata aplicada pelo prefeito de Macapá, Antônio Furlan (MDB), contra o cinegrafista Iran Fróes, no último dia 17.

Normalmente, os termos circunstanciados são objetivos. Neste caso, no entanto, o relatório tem 9 páginas e é recheado de análises do delegado que procuram culpar os jornalistas e preservar Antônio Furlan, segundo avaliação do advogado Maurício Pereira. Ontem (20) à noite o Portal SN procurou o delegado para comentar as acusações e os elogios públicos que ele fez ao prefeito no Instagram, mas ele não se manifestou sobre o assunto.

O advogado Maurício Pereira, que representa os dois comunicadores, criticou o relatório elaborado pelo delegado, classificando-o como “exaustivo” e direcionado a isentar o prefeito de responsabilidade.

Não houve ali nenhuma mulher intermediando o assunto ou outra situação. Houve a gravação de Heverson e em seguida a gravata do senhor prefeito, e mesmo assim o delegado relatou legítima defesa de terceiro. Foi tendencioso e político”, avaliou Pereira.

Raphael Paulino (segundo à direita): relatório extenso e analítico responsabiliza jornalistas

Jornalista Heverson Castro é algemado pela Guarda Municipal no dia 17 após agressão ao cinegrafista

Advogado Maurício Pereira: relatório tendencioso e político

Segundo a defesa, o delegado ignorou o vídeo que mostra Heverson tentando entrevistar o prefeito de forma pacífica antes da agressão a Iran. Pereira também acusou Paulino de agir de forma irregular ao colher o depoimento de Furlan somente à noite, horas após os comunicadores já terem sido ouvidos e presos pela Guarda Municipal. O delegado aponta no relatório que Furlan agiu e “legítima defesa de terceiros”.

Na surdina, às 20h50, o prefeito foi ouvido. A regra seria ouvir ele primeiro como testemunha e depois os acusados, que teriam oportunidade de se defender. Este relatório não inocenta o senhor prefeito. No judiciário mostraremos os verdadeiros fatos ocorridos”, afirmou o advogado.

Outro ponto questionado é a conclusão de que os jornalistas teriam “invadido” a área da obra pública. Para a defesa, o ato está protegido pela prerrogativa do exercício profissional da imprensa.

Pereira ainda citou o exame de corpo de delito da servidora Anne Távora, lotada na Secretaria de Comunicação da Prefeitura, que apontou resultado negativo. Ela havia relatado que uma suposta cotovelada de um dos jornalistas teria atingido sua prótese mamária.

Teria deixado no mínimo um edema. Se não houve lesão, não houve agressão. O prefeito não apresentou nenhuma gravação que prove suas alegações”, acrescentou o advogado.

O Portal SN continua com espaço aberto para que o delegado Raphael Paulino comente o assunto.

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