De Santana (AP)
Policiais da Delegacia de Atendimento à Mulher em Santana (Deam) cumpriram um mandado de busca e apreenderam uma pistola que teria sido usada por um homem de 35 anos acusado de usar a arma para intimidar a ex-esposa de 33 anos, com quem tem um filho de dois anos. De acordo com o inquérito, ele teria chegado a disparar um tiro ao lado da vítima para amedrontá-la.
O mandado foi cumprido na sexta-feira (9) num inquérito que investiga “ameaça no contexto de violência doméstica, de perseguição e de disparo de arma de fogo”.
A investigação começou quando a vítima registrou BO solicitando medidas protetivas de urgência. Segundo a delegada Katiúscia Pinheiro ( @delegada_katiuscia), a mulher relatou estar sofrendo ameaças de morte e perseguição por parte do ex-companheiro, incluindo o uso de arma de fogo.
Ainda de acordo com o relato, a mulher se separou do acusado há cerca de dois anos, quando estava grávida do filho do casal. A criança nasceu com doenças que exigem cuidados constantes, o que levou a mãe a interromper o trabalho para se dedicar integralmente ao filho, tornando-se financeiramente dependente do ex.
Esse quadro de dependência, segundo a investigação, aumentou a vulnerabilidade da vítima e teria sido explorado pelo suspeito como forma de controle. Ela afirmou que o ex-companheiro se sentia no direito de ir até sua casa quando quisesse, inclusive de madrugada, tentando controlar sua vida pessoal, impedindo amizades e novos relacionamentos amorosos. A vítima também denunciou que estaria sendo vigiada, inclusive com a instalação de câmeras direcionadas para a frente de sua residência.

Foram apreendidas 119 munições…
Além disso, o inquérito aponta que a mulher era alvo frequente de ofensas e de discursos que a diminuíam, com ameaças constantes — algumas feitas com arma de fogo.
O mandado de busca foi cumprido na residência do acusado, no bairro Novo Horizonte, em Santana. Durante a diligência, os policiais localizaram e apreenderam uma pistola calibre 9mm, dois carregadores e 119 munições do mesmo calibre.
Apesar da gravidade das suspeitas investigadas, o homem não foi preso no local. Conforme informado pela delegada, ele apresentou documentação indicando que possui registro da arma de fogo, incluindo Certificado de Registro como CAC (atirador desportivo), Guia de Trânsito da arma datada de julho de 2022 e carteira de associado a clube de tiro.

Acusado apresentou documentos referentes à pistola, por isso não foi preso
A delegacia informou ainda que o acusado responde a dois inquéritos policiais em curso pela suposta prática de violência doméstica contra mulher. O caso segue em apuração e, segundo a autoridade policial, as informações devem ser encaminhadas para os procedimentos cabíveis relacionados à possível perda do direito ao registro.
Ao comentar o caso, a delegada Katiúscia Pinheiro reforçou a necessidade de denúncias para que a polícia consiga agir ainda no início do ciclo de violência, evitando o agravamento das ameaças e a escalada criminosa para situações mais graves, como o feminicídio.
