Por OLHO DE BOTO
De Macapá (AP)
Familiares de internos do sistema prisional do Amapá realizaram um protesto, neste domingo (11), para denunciar a alimentação servida aos presos. A manifestação reuniu dezenas de mulheres em frente ao Instituto de Administração Penitenciária (Iapen), localizado às margens da Rodovia Duca Serra, zona oeste de Macapá.
Os detentos estariam enfrentando atrasos nas refeições, com períodos prolongados sem qualquer alimentação.
Umas das reclamações refere-se ao almoço que estaria sendo servido somente entre às 16h e 17h, às vezes com apenas dois ovos como proteína e já em más condições.

Manifestantes relatam que presos estariam recebendo marmitas com apenas dois ovos como refeição principal. Foto: reprodução
Durante o ato, Suelen Santos, esposa de um interno, relatou que os presos estariam há dias sem receber refeições regularmente.
“Ontem não teve janta. Hoje não teve café e nem almoço. Eles erraram e estão lá para pagar pelos erros, mas não para morrer de fome. Eles são seres humanos”, afirmou. Segundo ela, as famílias sofrem do lado de fora e cobram providências das autoridades. “A gente quer uma resposta. Não vamos sair daqui enquanto não tivermos uma explicação.”
Já Mônica, que tem um filho preso, relatou que quando a comida chega, muitas vezes já vem estragada ou em quantidade insuficiente. “Às vezes chega arroz azedo, feijão e dois ovos. E quando chega, vem às 4h ou 5h da tarde. Hoje o almoço chegou às 17h e até agora a janta não chegou”, afirmou. Ela ainda alegou que os internos estariam sem acesso regular à água e em situação degradante.

Familiares fizeram uma corrente de oração na frente do Iapen
Outra mãe, Sabrina Ramos, também criticou a qualidade da alimentação. Segundo ela, os familiares souberam que o contrato com a empresa fornecedora de refeições teria encerrado, o que pode estar impactando no fornecimento. “Estão entregando uma marmita com dois ovos. A comida chega tarde e chega estragada”, disse.
Os manifestantes também reclamam da suspensão da chamada “VD” (Venda Direta), modalidade que permitia que familiares levassem alimentos e produtos básicos aos internos. De acordo com um dos participantes do protesto, a proibição agravou ainda mais a situação. “Antes pelo menos tinha uma bolacha, um leite. Hoje não tem nada. Tem gente desmaiando lá dentro porque está há dias sem comer”, declarou.

Familiares pediram para voltar a fornecer alimentação aos parentes presos
Outro relato grave foi feito por Suelen Santos, que afirmou que a situação no setor feminino seria ainda mais delicada. “Tem menina desmaiando, gente esperando consulta há uma semana. Comida podre. A gente não tem resposta de ninguém”, disse.
Os manifestantes afirmaram que permanecerão mobilizados pelo tempo que for necessário até que haja uma resposta das autoridades e cobram posicionamento dos órgãos competentes, como Secretaria de Justiça, Ministério Público, Defensoria Pública e órgãos de Direitos Humanos.
Já era noite quando o veículo da empresa fornecedora da alimentação chegou e foi abordado por alguns manifestantes revoltados. A reportagem ainda tentou falar com alguém da administração do Iapen, mas o portão da entrada principal do presídio permaneceu fechado o tempo todo.
Iapen
Em nota, a administração do Iapen declarou que oferece cinco refeições diárias desde outubro de 2024, medida que reforçou a segurança nas unidades prisionais, mas reconheceu atrasos no fornecimento de alimentos nos dias 10 e 11 de janeiro de 2026, que causaram instabilidade no Cadeião; o órgão informou que já aplicou mais de R$ 1 milhão em sanções à empresa contratada, mantém processo administrativo em andamento e reafirmou o compromisso com a ordem, a fiscalização rigorosa e o interesse público.
