Por OLHO DE BOTO
A Polícia Civil do Amapá prendeu, nesta terça-feira (27), Paulo Hermerson Santos de Oliveira, de 46 anos, acusado de matar a própria esposa em 2023 e tentar encobrir o crime simulando um roubo. O suspeito estava foragido da Justiça e foi localizado trabalhando em um barracão de escola de samba, na Avenida Ivaldo Alves Veras, zona sul de Macapá. Ele é o mestre sala da Emissários da Cegonha e a vítima tinha sido porta-bandeira da mesma escola e atuava junto com ele no segmento junino.
As investigações, conduzidas pela Polícia Civil sob coordenação do delegado Manoel Pacheco, concluíram que a morte de Locylene Ramos Figueiredo foi resultado de feminicídio, após a queda da versão inicialmente apresentada pelo acusado.
Logo após a morte da esposa, Paulo Hermerson afirmou que ela teria sido atacada por dois assaltantes. No entanto, a narrativa começou a ruir com o avanço das investigações. De acordo com a Polícia Civil, exames periciais comprovaram que a lesão no crânio da vítima não era compatível com uma coronhada de revólver, como alegado pelo suspeito. O laudo apontou que o ferimento foi provocado por objeto perfurante, possivelmente um estoque ou instrumento semelhante.

Hemerson chega na delegacia…

“A perícia foi determinante para desmontar a versão apresentada. Ficou comprovado que o suposto roubo nunca existiu”, afirmou o delegado Manoel Pacheco.
Durante as diligências, policiais ouviram familiares, vizinhos e pessoas próximas ao casal. Os depoimentos revelaram um histórico contínuo de agressões sofridas pela vítima.

Alcoolismo, violência e dependência financeira

Além de mestre-sala, Hemerson trabalha como adericista e costureiro na Emissário da Cegonha

Lene: perícia mudou rumo da investigação quase 3 anos depois
Dependência química e financeira
Segundo a investigação, o acusado era alcoólatra e dependia financeiramente da esposa. Apesar de a violência ser conhecida na vizinhança, o caso teria sido silenciado por anos.
“Ele era uma pessoa popular, ligada ao Carnaval, e isso fazia com que muitos acobertassem as agressões. Infelizmente, a omissão culminou na morte da vítima”, destacou o delegado.
O mandado de prisão preventiva, válido até 2045, foi cumprido por agentes da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), enquanto o acusado confeccionava fantasias para o período carnavalesco.
“Casos que antes eram ignorados ou abafados hoje são tratados com seriedade. Mesmo versões aceitas no passado podem ser revistas. O crime não compensa”, afirmou Manoel Pacheco.
