Cidade paraense acumula mortes por doença de Chagas após consumo de açaí

Inseto portador da doença: Ananindeua vive surto com 40 casos monitorados; suspeita é de transmissão oral, possivelmente ligada ao consumo de alimentos
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Por PEDRO PESSOA, de Belém

Ananindeua confirmou mais uma morte provocada pela doença de Chagas e chegou a quatro óbitos registrados no município. A vítima mais recente é uma menina de 11 anos, que não resistiu após permanecer internada por cerca de duas semanas na UTI de um hospital particular no bairro do Umarizal, em Belém.

A Secretaria Municipal de Saúde informou que exames laboratoriais atestaram a infecção pela doença. A criança apresentou rápida piora do estado de saúde, com comprometimento cardíaco grave, caracterizado por insuficiência cardíaca. Familiares relataram que a menina havia consumido açaí em Ananindeua. O irmão dela, de 5 anos, também apresentou sintomas e está sendo acompanhado por equipes de saúde.

O município mantém atualmente 40 casos da doença sob monitoramento. Destes, 26 começaram a ser acompanhados ainda em dezembro do ano passado, enquanto outros 14 foram confirmados já neste mês de janeiro. Todos os quatro óbitos ocorreram no mesmo período, o que acendeu o alerta das autoridades sanitárias.

O caso foi comunicado pelo hospital à Secretaria de Saúde do Estado do Pará na última sexta-feira, com posterior registro no sistema oficial de vigilância. Diante do avanço das notificações, o Ministério da Saúde passou a acompanhar a situação e classificou o cenário em Ananindeua como um surto de doença de Chagas, com indícios de transmissão por via oral, hipótese que segue em investigação.

Vítimas tinham consumido açaí. Fotos: Arquivo

Segundo o ministério, há uma atuação conjunta entre órgãos federais, estaduais e municipais, além da Anvisa e dos Centros de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde. As frentes de trabalho incluem a apuração da origem dos casos, o acompanhamento clínico dos pacientes e a análise das condições sanitárias relacionadas à produção e à comercialização de alimentos.

A Secretaria de Saúde de Ananindeua informou que reforçou as ações de vigilância epidemiológica e sanitária, ampliou o monitoramento dos casos e segue os protocolos definidos pelo Ministério da Saúde, com suporte técnico do Instituto Evandro Chagas.

O tratamento da doença de Chagas é disponibilizado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A orientação das autoridades é para que pessoas com sintomas como febre persistente, mal-estar, dores no corpo ou alterações cardíacas procurem imediatamente uma unidade de saúde.

Seles Nafes
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