Por RODRIGO ÍNDIO, de Macapá (AP)
O governador do Amapá, Clécio Luís, oficializou a demissão do soldado Claudimiro da Costa Silva do serviço ativo da Polícia Militar. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado na última quarta-feira (28). A exclusão, assinada “a bem da disciplina”, ocorre após o agora ex-militar ser condenado pela Justiça por porte ilegal de arma de fogo de uso restrito.
O caso que levou à queda do militar remonta a agosto de 2024. Segundo as investigações, Claudimiro, que estava há menos de um ano na corporação, foi flagrado pelo Grupo Tático Aéreo (GTA) entregando uma pistola Glock calibre 9 mm a um civil identificado como Jhon Cleiton dos Santos, o “Jhon Jhon”, apontado como membro de uma organização criminosa. A abordagem ocorreu em Santana, após monitoramento de movimentações suspeitas de armas.
No imóvel de Jhon Cleiton, os agentes localizaram a arma, que possuía o brasão e número de série da Polícia Militar do Amapá, embora não estivesse acautelada formalmente para nenhum dos envolvidos. Além da pistola oficial, foi encontrada uma segunda arma com numeração raspada e mais de 140 munições de diversos calibres.
Em sua defesa, o soldado alegou que pegou a arma emprestada do criminoso para proteção pessoal, sob o pretexto de ainda não ter recebido armamento oficial do Estado, e que a estava devolvendo no momento da abordagem.

Decreto de demissão foi publicado no Diário Oficial do Estado

Arma apreendida com o faccionado. Foto: Leonardo Melo/SN
A justificativa, no entanto, foi prontamente rejeitada pelo juiz Almiro Deniur, da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Santana. Na sentença proferida no fim de 2025, o magistrado destacou a gravidade da conduta, classificando-a como uma “circulação clandestina” de arma institucional.
“A justificativa baseada em sensação de insegurança não afasta o dolo. Ao contrário, confirma que tinha consciência da irregularidade”, pontuou o juiz na decisão.
Claudimiro foi condenado a três anos de reclusão em regime semiaberto. Além da pena privativa de liberdade, o magistrado já havia determinado a perda do cargo público, medida agora ratificada pelo decreto governamental. Jhon Cleiton, que forneceu a arma ao policial, também foi condenado no processo.
