Servidor do MP é procurado por crimes sexuais contra 10 colegas de trabalho

Acusado negou as acusações em depoimento, mas não se apresentou na delegacia como a defesa havia combinado
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Por RODRIGO ÍNDIO, de Santana (AP)

O que deveria ser um ambiente de proteção à lei transformou-se em um cenário de medo e violação para, pelo menos, 10 mulheres. Após seis meses de uma investigação rigorosa conduzida pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAMS), a Polícia Civil do Amapá pediu à justiça a prisão preventiva de um servidor do Ministério Público Estadual, de 47 anos, acusado de uma série de crimes sexuais no ambiente de trabalho. A solicitação foi atendida.

As vítimas, mulheres com idades entre 25 e 36 anos, eram subordinadas diretas ou indiretas do acusado, que ocupava um cargo de chefia. Segundo o inquérito, o homem teria praticado crimes de assédio sexual, importunação sexual e estupro. O silêncio, que durou tempo suficiente para a investigação amadurecer, era alimentado pelo medo: todas temiam perder seus empregos caso enfrentassem o superior.

As investigações começaram dentro do próprio MP. Ao receber as denúncias, a instituição agiu com rapidez e comunicou a Polícia Civil. Para a delegada Katiúscia Pinheiro, a gravidade do caso exigiu uma postura firme interna.

“Solicitamos a prisão preventiva com o aval do MP, que considerou a necessidade de ‘cortar na própria carne’ para que a justiça prevaleça”, afirmou a delegada.

Delegada Katiúscia Pinheiro apura o caso. Fotos: Rodrigo Índio/SelesNafes.Com

Embora o acusado tenha negado todos os fatos em interrogatório prévio, a polícia afirma que as evidências são robustas. O inquérito reúne um conjunto sólido de provas:

  • Provas Documentais: Registros que sustentam as denúncias.
  • Elementos Técnicos: Dados colhidos durante o semestre de investigação.
  • Depoimentos: Relatos contundentes das 10 mulheres que decidiram romper o ciclo de abusos.

De suspeito a foragido

Segundo a delegada, o advogado do acusado havia informado que ele se apresentaria nesta quarta-feira (11), mas o compromisso não foi cumprido. Com o mandado de prisão em aberto e o paradeiro desconhecido, o servidor agora é oficialmente considerado foragido.

A identidade do homem e a promotoria onde atuava são mantidas sob sigilo pela Polícia Civil para preservar a intimidade e a segurança das vítimas. Mas o Portal SelesNafes.Com apurou com outras fontes que os crimes ocorreram na Promotoria de Santana. 

Amparo às vítimas

Enquanto as diligências continuam para localizar o acusado, as vítimas não foram deixadas à própria sorte. Todas estão recebendo atendimento psicológico especializado para lidar com os traumas decorrentes das agressões sofridas no ambiente que deveria ser seu porto seguro profissional.

O portal também apurou que o servidor tinha pedido afastamento do trabalho alegando depressão.

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