Por RODRIGO ÍNDIO
Esta sexta-feira (13) foi marcada por mobilização de trabalhadores em frente à Prefeitura de Macapá. Profissionais ligados ao Sindicato dos Agentes de Saúde e da Estratégia Saúde da Família do Amapá realizaram um ato público para cobrar o cumprimento de direitos trabalhistas e denunciar o que classifica como descaso da gestão municipal com cerca de 650 profissionais que atuam nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) das zonas urbana e rural.
De acordo com o sindicato, as tentativas de diálogo com a administração municipal não têm avançado, o que agravou a insatisfação da categoria diante de uma série de irregularidades. Entre as principais queixas estão a defasagem salarial de profissionais que ainda recebem valores inferiores ao salário mínimo vigente e o não cumprimento do reajuste de 10% prometido para o início de 2025.
A direção sindical denuncia ainda atrasos no pagamento de verbas de férias, que em alguns casos chegam a 43 dias, além do descumprimento de sentenças judiciais. Segundo a entidade, a prefeitura prefere pagar multas judiciais pelo não cumprimento das decisões do que repassar os valores devidos aos servidores. Outro ponto crítico envolve supostas irregularidades previdenciárias, com descontos feitos desde 2022 nos contracheques sem que os valores sejam devidamente contabilizados no fundo da Macapá Previdência.

Agentes denunciaram retenção indevida dos valores descontados para a previdência. Fotos: Rodrigo Índio/SelesNafes.Com
Em entrevista durante a manifestação, o presidente do sindicato, Jó Pereira, enfatizou que o movimento não busca privilégios, mas o cumprimento da legislação.
“O que a gente quer é que o prefeito determine a resolução do problema. Não estamos pedindo algo ilegal ou desfavorável à prefeitura; o que pedimos é algo legal ao trabalhador”, afirmou Pereira.

Jó Pereira: não estamos pedindo nada ilegal

Maioria dos agentes ganha menos que um salário mínimo
O dirigente também fez um alerta sobre a saúde mental da categoria e denunciou casos de assédio moral dentro das unidades de saúde.
“Estamos denunciando para combater esse assédio e melhorar a vida dos nossos trabalhadores, que estão adoecendo por conta disso”, pontuou.
Caso não haja resposta concreta da gestão municipal, o sindicato informou que pretende endurecer o movimento. Entre as medidas anunciadas estão o protocolo de um ofício para a realização de um ato de paralisação no dia 3 de março e a solicitação de uso da tribuna da Câmara Municipal de Macapá para expor a situação da categoria aos vereadores. A estratégia prevê ainda a continuidade das mobilizações em frente à prefeitura até que uma solução definitiva seja apresentada.
Até o fechamento desta matéria, a Prefeitura de Macapá não havia se pronunciado oficialmente sobre a manifestação nem sobre o cronograma de pagamentos e reajustes citados pelo sindicato. O espaço segue aberto para esclarecimentos.

