Por IAGO FONSECA, de Macapá (AP)
O Sambódromo de Macapá viveu, neste sábado (14), o capítulo final de um dos carnavais mais seguros e abertos ao público dos últimos anos. Com arquibancadas lotadas e um clima de celebração que atravessou a madrugada, as últimas cinco agremiações cruzaram a passarela Ivaldo Veras misturando fé, política e cultura popular.
No meio do povo, o governador Clécio Luís celebrou a retomada e a organização da festa. “É o Carnaval para todo mundo torcer, assistir e festejar. Uma festa linda, segura e que movimenta a nossa economia, gerando emprego e renda para o nosso povo”, destacou o governador.

Governador Clécio Luís: Carnaval para todo mundo. Foto: Ruan Alves
A Solidariedade abriu a segunda noite com o enredo “O tambor que não se cala”, transformando a avenida em um verdadeiro manifesto de liberdade. A escola da zona sul usou a batida ancestral do tambor para contar a história de resistência dos povos oprimidos, emocionando o público com alas que simbolizavam a voz daqueles que lutam contra o silenciamento cultural ao longo dos séculos.

Foto: Sal Lima

Foto: Sal Lima
A Império da Zona Norte desaguou no Sambódromo com uma proposta atual e urgente: a defesa da Amazônia aliada ao progresso na margem equatorial. A escola uniu o verde da floresta à tecnologia, defendendo que o desenvolvimento econômico do estado pode e deve caminhar junto com a preservação ambiental, em um desfile visualmente moderno e impactante.

Foto: Maksuel Martins

Foto: Maksuel Martins
A força da religiosidade tomou conta da passarela com a Império do Povo, que exaltou Nanã Buruquê e as raízes do mangue. Com um acabamento em tons de lilás e terra, a agremiação de Santana mostrou a relação intrínseca entre o barro, a criação do mundo e a proteção dos orixás, trazendo uma estética orgânica.

Foto: Maksuel Martins

Foto: Maksuel Martins
O clima de “baile” tomou conta da Ivaldo Veras quando o Piratas da Batucada entrou na avenida com o enredo “Meu Coração é Brega”. A escola do bairro Santa Inês levou clássicos do romantismo popular para a passarela, transformando o espaço em um grande salão. Com coreografias inspiradas nas festas de aparelhagem, o “Piratão” apostou na identidade tucuju para conquistar as arquibancadas.

Foto: Jorge Junior

Foto: Jorge Junior
Para encerrar, o Piratas Estilizados trouxe o “Alujá de Xangô”, evocando a justiça e o fogo do orixá dos raios. A escola encerrou os desfiles de 2026 com uma explosão de vermelho e branco, exaltando a ancestralidade dos tambores e a força da fé africana, deixando a avenida com clima de dever cumprido.

Foto: Maksuel Martins

Foto: Maksuel Martins

