Açaí é descartado após alta no preço e deterioração do fruto

Vídeo de vendedores jogando o produto na Baía do Guajará, em Belém, expõe impacto do valor elevado e reacende debate sobre fiscalização e acesso ao alimento
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Por PEDRO PESSOA, de Belém

Um vídeo que viralizou mostra vendedores de açaí descartando o fruto nas águas da Baía do Guajará, em Belém, provocou indignação e reacendeu o debate sobre o alto preço e a forma de comercialização do produto na capital paraense.

As imagens mostram grandes quantidades de açaí sendo jogadas fora, apesar de o fruto ser base da alimentação de milhares de famílias no Pará. A repercussão foi imediata, sobretudo por se tratar de um dos principais símbolos culturais e econômicos da região Norte.

Em vídeo publicado nas redes sociais, o diretor da Associação da Cadeia Produtiva do Açaí de Belém (ACPAB), Rocinha Júnior, afirmou que a situação é consequência direta do preço elevado aliado ao tempo excessivo de armazenamento. Segundo ele, o fruto estaria permanecendo até três dias sem ser comercializado, mesmo com valores considerados altos.

“O batedor artesanal não consegue consumir esse preço do açaí”, declarou.

Ainda de acordo com Rocinha, quando o valor não é reduzido a tempo, o produto acaba se tornando impróprio para consumo, levando inevitavelmente ao descarte. Ele também criticou a prática de baixar o preço apenas quando o açaí já estaria deteriorado, classificando a situação como prejudicial tanto para os batedores artesanais quanto para a população.

O dirigente destacou que o açaí vindo de municípios do interior precisa ser vendido rapidamente após chegar a Belém, preferencialmente em até 24 horas, para garantir qualidade e segurança alimentar. Caso contrário, há risco de perda do produto e prejuízo financeiro para toda a cadeia produtiva.

Atualmente, o litro do açaí fino, conhecido como “popular”, é comercializado em Belém por cerca de R$ 38, em média. A liderança defendeu maior fiscalização nas feiras da capital e afirmou que o preço atual inviabiliza o consumo popular.

“A população não consegue pagar caro o açaí”, disse, ressaltando que muitas famílias dependem do alimento no dia a dia.

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