Por SELES NAFES, de Macapá
A Justiça do Amapá condenou Paulo Henrique Corrêa Passarinho, de 20 anos, a quatro anos de prisão, em regime inicial semiaberto, pelo crime de favorecimento da prostituição e exploração sexual de adolescente. A sentença foi proferida no dia 20 de fevereiro pelo juiz Zeeber Lopes Ferreira, da 1ª Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Comarca de Macapá.
A condenação atende denúncia apresentada pelo Ministério Público do Amapá. Segundo os autos, em meados de junho de 2023, o acusado teria induzido e intermediado a exploração sexual de uma menina com 13 anos. O processo apontou que ele usava redes sociais para expor a adolescente e agenciar encontros com homens adultos, ajustando valores e exigindo parte dos pagamentos, inclusive por meio de transferências eletrônicas.
Em juízo, a vítima relatou que diversos contatos só eram feitos por intermédio do acusado, que funcionava como elo entre ela e os interessados. O magistrado destacou que o depoimento foi firme, coerente e compatível com as demais provas produzidas no processo.
A investigação foi corroborada por testemunhas policiais. Uma policial civil afirmou que, durante a apuração, conversas extraídas de celulares de terceiros mencionavam reiteradamente o nome do réu como intermediador, com pedidos de dinheiro. Outro policial confirmou que o monitoramento das redes sociais do acusado revelou intensa exposição de adolescentes, movimentação financeira e intermediação de encontros, inclusive com registros de “comissões” pagas via PIX.

Várias pessoas foram presas em dezembro
Durante o interrogatório, Passarinho negou as acusações, alegando que as adolescentes o procuravam espontaneamente e que não compreendia a gravidade das condutas. Para o juiz, ficou comprovado que o acusado agiu de forma consciente e voluntária na exploração sexual da adolescente. O magistrado também decidiu manter a prisão preventiva por risco à ordem pública e a possibilidade de repetição dos crimes.
Na mesma decisão, o juiza determinou providências urgentes quanto à saúde do réu, que apresenta quadro infeccioso, ordenando que o estabelecimento prisional providencie atendimento médico adequado e comunique o juízo.
O caso integra os desdobramentos da Operação Iumenes, deflagrada pela Polícia Civil em dezembro de 2024, que apurou crimes de exploração sexual envolvendo empresários, servidores públicos e o ex-vereador de Macapá Zeca Abdon. Paulo Henrique Corrêa Passarinho é o primeiro condenado entre os réus oriundos do inquérito.
