Por SELES NAFES, de Macapá (AP)
Investigação da Polícia Federal que detonou a 2ª fase da Operação Paroxismo, na manhã desta quarta-feira (4), aponta um esquema de desvio de recursos públicos envolvendo contratos da Prefeitura de Macapá e a empresa Santa Rita Engenharia, responsável pela obra do Hospital Municipal. Segundo relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal, a empresa recebeu repasses do município e, logo após os pagamentos, seus sócios passaram a realizar sucessivos saques em dinheiro vivo. Entre os beneficiados estão a ex-esposa de Furlan e uma clínica que teria como responsável à primeira-dama, Rayssa Cadena Furlan (Podemos), que tiveram quebrados os sigilos fiscal e bancários e foram alvos de mandados hoje. O Portal SN tenta contato com as defesas da primeira-dama e da ex-esposa de Furlan.
De acordo com a investigação, entre janeiro de 2023 e setembro de 2024, os empresários Rodrigo de Queiroz Moreira e Fabrizio de Almeida Gonçalves teriam sacado aproximadamente R$ 9,8 milhões em espécie. A PF afirma que os valores foram retirados de forma fracionada e incompatível com a atividade empresarial, sem registro de retorno ao sistema bancário ou comprovação de utilização nas obras contratadas.

Trecho do relatório
As investigações também identificaram saques individuais elevados. Em um dos episódios, R$ 850 mil foram retirados em dinheiro vivo. Em outra ocasião, R$ 400 mil foram sacados e transportados em uma mochila, sendo posteriormente repassados a terceiros monitorados pela polícia. Parte da movimentação teria envolvido veículos registrados em nome do prefeito de Macapá, Antônio Furlan.
O relatório também menciona transferência de R$ 100 mil feita por um dos empresários para Isabella Cristina Moreira Favacho, ex-esposa do prefeito. Para os investigadores, o repasse pode indicar pagamento indireto de vantagem indevida.
Outro ponto considerado relevante pela PF é a apreensão de anotações que indicariam depósitos fracionados que ultrapassariam R$ 3 milhões. Entre os possíveis beneficiários citados nos registros estão o Instituto Medicina do Coração, ligado ao prefeito, e a empresa RCFS Médicos Ltda, cuja responsável é Rayssa Cadena Furlan, atual primeira-dama de Macapá.

Despacho do ministro Flávio Dino mandando quebrar sigilos

Primeira-dama seria responsável por clínica que recebeu depositos suspeitos
Essas informações fazem parte do relatório da Polícia Federal ao Supremo Tribunal Federal, e embasaram os pedidos de afastamento do prefeito e do vice (e secretário de Finanças) Mário Neto, além da quebra dos sigilos deles e demais envolvidos.
Linha do tempo do dinheiro investigado pela PF
2023 – início das movimentações
- Polícia Federal identifica o início de saques em espécie realizados pelos sócios da empresa Santa Rita Engenharia.
Janeiro de 2023 a setembro de 2024
- 42 saques feitos por Rodrigo Moreira
- Total aproximado: R$ 7,4 milhões
- 17 saques feitos por Fabrizio Gonçalves
- Total aproximado: R$ 2,4 milhões
Total retirado em dinheiro vivo: cerca de R$ 9,8 milhões
15 de maio a 15 de outubro de 2024
- Transferência bancária de R$ 100 mil para Isabella Favacho, ex-esposa do prefeito.
23 de dezembro de 2024
- Saque de R$ 850 mil em espécie feito por Rodrigo Moreira.
Maio de 2025
- Saque de R$ 400 mil em agência do Banco do Brasil.
- Dinheiro foi transportado em mochila preta e repassado a terceiros.
Junho de 2025
- Novos saques monitorados:
- R$ 130 mil
- R$ 260 mil
Durante a investigação
- Polícia encontra anotações de depósitos fracionados que ultrapassariam R$ 3 milhões.
- Possíveis destinatários citados:
- Instituto Medicina do Coração (ligado ao prefeito)
- RCFS Médicos Ltda (empresa vinculada à primeira-dama Rayssa Cadena Furlan).
