Por SELES NAFES, de Macapá (AP)
A ex-primeira-dama de Macapá e pré-candidata ao Senado pelo Podemos, Rayssa Cadena Furlan, decidiu manter silêncio sobre as suspeitas levantadas pela Polícia Federal envolvendo depósitos bancários que ultrapassariam R$ 3 milhões em empresas ligadas a ela e ao marido, o ex-prefeito Antônio Furlan (PSD).
Rayssa foi um dos alvos da segunda fase da Operação Paroxismo, deflagrada pela Polícia Federal e autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). No dia da operação, o Portal SelesNafes.Com procurou a assessoria de comunicação da PMM e a assessora pessoal de Rayssa para conseguir um posicionamento dela sobre as acusações, mas não houve resposta. A operação resultou no afastamento de Furlan do cargo no dia 4, decisão que abriu uma crise política na prefeitura. No dia seguinte, o prefeito apresentou renúncia ao mandato.

Dono da construtora chega ao Banco do Brasil…

…coloca os pacotes de dinheiro em uma mochila…
Trechos da decisão do ministro citam movimentações financeiras consideradas suspeitas em empresas vinculadas ao casal no contexto da investigação que apura possíveis irregularidades na licitação e construção do Hospital Municipal de Macapá.
De acordo com a decisão judicial, relatórios da Polícia Federal apontam operações bancárias atípicas em favor da empresa RCFS Médicos LTDA, apontada como vinculada a Rayssa Furlan. As movimentações aparecem no contexto da investigação que apura fraude em licitação, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro envolvendo contratos da Secretaria Municipal de Saúde.
Durante as diligências, investigadores também encontraram anotações e comprovantes de depósitos bancários que, somados, ultrapassariam R$ 3 milhões, realizados de forma fracionada. Segundo a investigação, parte desses depósitos teria como destino empresas ligadas ao prefeito, entre elas o Instituto de Medicina do Coração LTDA, apontado como de propriedade de Furlan, e a RCFS Médicos LTDA, cuja responsável seria Rayssa Cadena Furlan.
Os documentos analisados pela Polícia Federal indicam que os depósitos eram feitos de maneira recorrente por pessoas ligadas ao núcleo investigado. Para os investigadores, o padrão pode indicar um fluxo financeiro fragmentado destinado a ocultar a origem e a destinação dos recursos.

…e o motorista dele chega ao estacionamento de laboratório com a mochila…

…que é entregue a funcionário de clínica do prefeito que embarca no Cronos de Furlan. Fotos constam no inquérito da PF
As movimentações também aparecem relacionadas ao mesmo contexto de saques em espécie realizados por empresários ligados à empresa contratada para a obra do hospital, investigada por suspeita de direcionamento da licitação.
Diante dos indícios, o ministro Flávio Dino autorizou a quebra de sigilo bancário e fiscal de pessoas físicas e jurídicas mencionadas nas investigações, incluindo Rayssa Cadena Furlan e empresas vinculadas ao grupo investigado. A medida busca rastrear a origem dos recursos e identificar eventuais repasses relacionados ao contrato público.

A investigação integra um inquérito mais amplo que apura suspeitas de direcionamento de licitação, pagamento de propina e lavagem de dinheiro envolvendo recursos federais destinados à construção do Hospital Municipal de Macapá.
Até o momento, Rayssa Furlan não comentou as suspeitas apontadas na decisão judicial. A defesa do ex-prefeito Antônio Furlan também não se manifestou sobre os trechos da investigação que mencionam depósitos e movimentações financeiras relacionadas às empresas do casal.
