Por SELES NAFES, de Macapá (AP)
A desocupação da Orla do Aturiá, cumprida por ordem judicial nesta segunda-feira (16), marcou o encerramento de um ciclo de quase 24 anos de incertezas para dezenas de famílias que viviam na área. O processo, conduzido com negociação e assistência social, resultou em solução para 96% dos moradores, garantindo moradia digna, indenizações e até a construção de uma nova igreja para a comunidade.
Entre as soluções apresentadas pelo Estado, que está construindo a nova Orla turística, 426 famílias foram contempladas com apartamentos no Residencial Vila dos Oliveiras, um conjunto habitacional planejado com infraestrutura completa.
Outras 72 famílias optaram por receber indenização financeira, o que lhes garantiu autonomia para escolher novos locais de moradia.
“Fui uma das famílias indenizadas pelo governo. Recebi todo um prazo. Fomos uma das primeiras, ainda em 2024. Consegui comprar outra casa para mim e estou bem, graças a Deus”, disse Nazaré Matos Pontinho, moradora do Araxá há mais de 30 anos.

Fachada do projeto da nova Igreja do Avivamento. Foto: Reprodução
“Deu para comprar outro local pra mim. Estou construindo devagar meu ponto de negócio. Mas com dedicação vou conseguir de novo. A indenização deu pra comprar essa área e levantar meu ponto. Não é tirar o povo na marra. Tínhamos 33 anos. Todos ali sabiam que um dia íamos sair. Mudaram os governos, mas ninguém tinha coragem de concluir aquilo ali. Sem o muro de arrimo não ia ter nada ali”, acrescentou outro morador.
Para assegurar o pagamento das indenizações, o Governo do Estado depositou aproximadamente R$ 4 milhões em juízo, garantindo os recursos mesmo nos casos que estavam em discussão judicial.
Um dos casos simbólicos foi o da Igreja do Avivamento, liderada pelo pastor Luiz Fernandes. A instituição teve acesso aos laudos de avaliação do imóvel e acompanhou todo o processo. O primeiro laudo apontou valor de R$ 352 mil, atualizado posteriormente para R$ 391 mil e, por fim, fixado em R$ 412 mil para o depósito judicial que assegura a indenização e a construção de um novo espaço religioso.
A congregação também recebeu um novo lote em frente ao rio Amazonas.
Das mais de 500 famílias que ocupavam a área, apenas 16 não aderiram às propostas apresentadas, mas mesmo assim receberam indenizações em juízo. Para esses casos, a Justiça expediu ordens de reintegração de posse, que começaram a ser cumpridas nesta segunda-feira, permitindo que as equipes avancem nas etapas finais das obras. Equipes do governo estão no local para orientar as famílias. O Portal SelesNafes.Com está acompanhando a operação no local.
