Por SELES NAFES, de Macapá (AP)
Três casos de doença de Chagas foram confirmados nesta terça-feira (24) pela Vigilância em Saúde do Amapá (SVS), todos ligados ao consumo de açaí contaminado, supostamente da mesma batedeira localizada no bairro Jardim Marco Zero, na zona sul de Macapá. O estabelecimento foi interditado. Também foi registrado o óbito de uma mulher de 47 anos.
Outros oito casos estão sob investigação, alguns deles no bairro Jardim Felicidade, na zona norte da capital. Apesar da gravidade, a SVS informou que a situação ainda não é considerada surto.
Em entrevista ao Portal SelesNafes.Com, a superintendente de Vigilância em Saúde, Cláudia Pimentel, explicou que as amostras já foram analisadas pelo Laboratório Central do Estado (Lacen), confirmando os primeiros diagnósticos. Segundo ela, a forma de contágio está relacionada à ingestão do açaí contaminado pelo inseto conhecido como barbeiro, transmissor da doença.
“É natural encontrar os barbeiros nos caroços, porque os açaizeiros estão dentro do habitat natural deles. Então, quando se tritura, a carga parasitária que está nas fezes vai muito alta para o açaí, e quem toma vai pegar a doença de forma aguda. Se identificar já nos primeiros sintomas imediatamente tem condições de tratar, mas os casos mais graves, dependendo da carga da carga parasitária, podem levar a óbito”, explicou a superintendente.

Barbeiros estão entre os caroços, por isso a limpeza e o tratamento térmico são essenciais. Foto: Rodrigo Índio/SN
Os primeiros sintoma são dor de cabela intensa e pernas inchadas. Os casos mais severos levam a problemas graves no coração, fígado e óbito.
Clandestinos
O órgão iniciou uma operação de fiscalização que deve percorrer a maioria das amassadeiras da capital, papel que originalmente é da prefeitura de Macapá e que já foi notificada.
“Temos outras batedeiras (suspeitas em outros bairros) e estamos fazendo a fiscalização. Visitamos algumas e o equipamento de tratamento, que é simples e composto por galões de inox, água em 90 graus e resfriamento, elimina por completo sem afetar o sabor do açaí. Orientamos isso exaustivamente. Mas encontramos equipamentos encaixotados, porque eles querem fazer rápido o açaí e só retiram das caixas para efeito de fiscalização”, relatou.
Um desafio adicional são as batedeiras clandestinas.
“Existem aquelas de fundo de quintal, que vendem o açaí dentro de casa. Nessas é difícil de fiscalizar. A pessoa que se propõe a comprar açaí por uma janelinha está se arriscando muito”, alertou Cláudia Pimentel.

