Por SELES NAFES, de Macapá (AP)
O Movimento Costa Norte, responsável por impulsionar a Música Popular Amapaense (MPA) entre as décadas de 80 e 90, atravessa o tempo e ganha nova forma, agora como entidade juridicamente organizada. O Instituto Costa Norte quer transformar um dos capítulos mais simbólicos da cultura tucuju em política de preservação, formação e projeção artística.
À frente do instituto está Osmar Júnior (presidente), com diretoria composta por nomes que ajudaram a construir a trilha sonora do Amapá: Zé Miguel, Amadeu Cavalcante, Val Milhomem e Joãozinho Gomes. Juntos, eles representam mais do que artistas — são guardiões de um movimento que traduziu em música o cotidiano amazônico, as águas, os afetos e a identidade de um povo. Foi desse caldo cultural que surgiram canções que atravessaram gerações e se tornaram patrimônio afetivo, como Vida Boa, Tarumã, Igarapé das Mulheres, Jeito Tucujú e Sabor Açaí. Obras que não apenas embalaram uma época, mas ajudaram a consolidar uma linguagem própria, reconhecida dentro e fora do estado.
Em entrevista ao Portal SN, Zé Miguel, Osmar Júnior e Amadeu Cavalcante explicam que o instituto nasce com a missão de proteger esse legado e, ao mesmo tempo, abrir caminhos. A proposta inclui incentivar novos artistas, fomentar a produção musical contemporânea e estruturar um espaço que funcione como museu da arte amapaense — um lugar onde memória e criação caminhem lado a lado. A ideia é também dialogar com emissoras de rádio e, futuramente, ter o próprio canal voltado à cultura do Amapá.
Mais do que institucionalizar um movimento histórico, o Costa Norte reafirma que a cultura amapaense segue viva, pulsando entre passado e futuro, como um igarapé que nunca deixa de correr.
Ficha técnica
Reportagem: Seles Nafes
Imagens: Caio Lucas Nunes da Silva
Edição: Antônio Batista Júnior

