Por RODRIGO ÍNDIO, de Macapá (AP)
Um vídeo publicado nesta semana pelo influenciador digital Diogo Gama gerou uma onda de indignação nas redes sociais. Nas imagens, gravadas em uma rua de Macapá, ele oferece dinheiro a um morador em situação de rua em troca do “direito” de insultá-lo.
No registro, Diogo aborda um cidadão que carregava uma saca contendo mato e lixo. Ao ser questionado se estava bem, o homem responde negativamente, deixando clara sua condição de cansaço e necessidade. Diante da vulnerabilidade, o influenciador faz a proposta:
“Cê aceita 100 reais só pra cê ser xingado por mim? É porque eu tô meio estressado, eu queria xingar alguém”, diz o criador de conteúdo.
Sem alternativas financeiras, a vítima aceita. O que se segue é uma sequência de ofensas. Diogo chama o homem de “mendigo”, manda-o “trabalhar” e faz piadas com sua aparência física (referindo-se às orelhas do senhor como “orelha de abano”). Durante todo o vídeo, o semblante do idoso é de visível constrangimento.
Reação e a defesa do “mimimi”
Após a repercussão negativa e acusações de internautas de que a conduta poderia configurar crime de injúria ou humilhação pública, Diogo Gama apagou o vídeo original. No entanto, o influenciador voltou às redes sociais para minimizar o ocorrido.
Em um novo vídeo, ele classificou as críticas como “mimimi” e tentou justificar a ação como uma forma de ajuda financeira. Segundo ele, a verdadeira humilhação seria pagar um trabalhador com um prato de comida por serviços pesados. Diogo afirmou que não planeja os roteiros e que “apenas faz”, alegando que o valor entregue serviu para ajudar o senhor, assim como faz com outros vendedores ambulantes da capital.

Influenciador chamou reação de “mimimi”

Momento em que morador aceita ser humilhado por R$ 100
Análise: Entretenimento ou exploração?
Especialistas e observadores locais apontam que o caso escancara o lado sombrio da economia da atenção. Em textos de blogs locais que acompanham o caso, a análise é severa: “Dignidade não deveria ser moeda de troca — muito menos por visualizações”.
A questão central reside no consentimento viciado pela necessidade. O idoso não aceita os xingamentos por diversão, mas pela urgência do dinheiro, o que caracteriza, para muitos, uma exploração explícita da fragilidade humana sob o pretexto de “gerar conteúdo”.
Embora o influenciador alegue que foi uma “ajuda”, o Código Penal Brasileiro prevê o crime de injúria (Art. 140), que consiste em ofender a dignidade ou o decoro de alguém. Quando a ofensa é proferida contra pessoa idosa, as implicações podem ser ainda mais graves, conforme o Estatuto do Idoso.
Até o fechamento desta matéria, não havia informações confirmadas sobre a abertura de inquérito pelas autoridades locais para investigar o caso.
