Por LEONARDO MELO, de Macapá (AP)
Abril é marcado pela campanha Abril Azul, dedicada à conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). A mobilização tem como referência o dia 2 de abril, instituído pela Organização das Nações Unidas como o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, com o objetivo de ampliar o debate público, reduzir o preconceito e promover a inclusão.
No Amapá, o tema ganha relevância com a atuação da Associação de Pais e Amigos dos Autistas do Amapá, que desenvolve atividades voltadas ao acolhimento de famílias, orientação e promoção de ações educativas. Durante o período da campanha, a entidade intensifica iniciativas de conscientização, levando informação à sociedade e incentivando o diagnóstico precoce e o acompanhamento adequado.
Dados do IBGE, com base no Censo Demográfico 2022, indicam que o estado apresenta uma das maiores proporções de pessoas diagnosticadas com TEA no país. Cerca de 1,5% da população amapaense possui diagnóstico, o que corresponde a aproximadamente 11 mil pessoas, colocando o Amapá entre os estados com maior incidência proporcional.
O presidente da Associação de Pais e Amigos dos Autistas do Amapá (AMA-AP), Cassius Clay, afirma que o acesso ao diagnóstico ainda é um dos principais desafios no estado.

Cassius Clay: acessoao diagnóstico ainda é um desafio
“Ainda enfrentamos muitos desafios no Amapá. Existe uma demanda muito grande e um número limitado de profissionais especializados, o que gera demora no processo de avaliação e diagnóstico. Muitas famílias também têm dificuldade de acesso à informação, o que faz com que o diagnóstico aconteça de forma tardia. Apesar disso, temos avançado gradualmente na conscientização e hoje já existe uma busca maior por orientação e acompanhamento, principalmente por parte das famílias”, destacou.
Cassius Clay também detalha o trabalho desenvolvido pela entidade.
“A AMA-AP atua no acolhimento, orientação e atendimento de crianças e adolescentes com TEA, além de oferecer suporte direto às famílias. Nosso trabalho é baseado no ensino estruturado, com foco no desenvolvimento da autonomia, habilidades funcionais e inclusão social. Também desenvolvemos ações de conscientização e orientação às famílias, que são parte fundamental no processo”, afirmou.

96 crianças e adolescentes são atendidos hoje pela associação…

…com diversas atividades e terapias
Atualmente, a instituição atende aproximadamente 96 crianças e adolescentes, com atendimentos organizados por níveis de desenvolvimento, de forma individual e integrada, com expectativa de ampliação desse quantitativo com a oferta de atendimentos no período da tarde, conforme destacou o presidente.
Homens são maioria
A maior incidência de diagnósticos em homens é observada em nível mundial e já foi apontada pela Organização Mundial da Saúde. De acordo com a organização, não há uma única explicação definitiva para essa diferença, mas fatores biológicos e genéticos, além das distintas formas de manifestação do autismo ajudam a compreender o fenômeno. Ainda conforme a OMS, meninas tendem a mascarar mais os sinais, o que dificulta o diagnóstico e pode levar à identificação tardia, indicando que não necessariamente há mais meninos com autismo, mas sim maior número de diagnósticos entre eles.

Homens dominam estatísticas do diagnóstico
A pesquisa também aponta concentração dos diagnósticos na faixa etária de 5 a 9 anos, período em que os sinais do transtorno costumam ser identificados com maior clareza, muitas vezes no ambiente escolar.
Nesse contexto, o trabalho desenvolvido por instituições locais assume papel relevante na ampliação do acesso à informação e no fortalecimento das redes de apoio. A Associação de Pais e Amigos dos Autistas do Amapá atua na articulação entre famílias, profissionais e a comunidade, contribuindo para a difusão de conhecimento e para o incentivo à inclusão.
A campanha Abril Azul reforça a necessidade de continuidade das ações de conscientização, bem como da ampliação de políticas públicas voltadas ao atendimento especializado, à educação inclusiva e à garantia de direitos das pessoas com Transtorno do Espectro Autista.
