Por RODRIGO ÍNDIO, de Macapá (AP)
O influenciador digital Diogo Gama publicou, na noite desta quinta-feira (2), um novo vídeo em suas redes sociais pedindo desculpas pela conduta adotada em uma gravação recente. No vídeo anterior, que gerou revolta nacional, Diogo oferecia R$ 100 a um morador em situação de rua em troca do “direito” de insultá-lo.
A mudança de tom ocorre após uma forte onda de indignação, perda de seguidores e críticas de especialistas, que apontaram a prática como exploração da fragilidade humana. No novo pronunciamento, Diogo reconheceu que a “brincadeira” — como ele inicialmente classificou o ato — foi desproporcional.
“Eu reconheço que eu pesei a mão. Vendo depois a brincadeira, vendo os comentários da galera, fui dar uma atenção melhor para o vídeo e percebi que eu realmente passei dos limites. Um limite que não poderia ter passado”, afirmou o influenciador.
Diferente da postura anterior, quando chegou a classificar a indignação dos internautas como “mimimi”, Diogo agora afirma que está à procura do senhor para um pedido de perdão presencial.
“Até falo para vocês aí: quem souber onde ele para, onde ele mora, me fala aqui pra gente ter esse encontro pessoalmente”, apelou aos seguidores.
Relembre o caso
O vídeo que deu origem à polêmica foi gravado em uma rua de Macapá. Nas imagens, Diogo aborda um homem que carregava uma saca de lixo e pergunta se poderia xingá-lo, porque estava “estressado”.
Diante da necessidade financeira, o morador em situação de rua aceitou o valor. O influenciador, então, disparou ofensas sobre a aparência física do idoso e ordenou que ele fosse “trabalhar”. O registro causou choque pela disparidade de poder e pelo visível constrangimento da vítima, que permaneceu em silêncio durante os ataques.
Embora o influenciador alegue que seu intuito habitual é “abençoar pessoas”, o caso gerou debate sobre os limites da criação de conteúdo para redes sociais.
O Código Penal Brasileiro prevê o crime de injúria (art. 140). Além disso, por se tratar aparentemente de uma pessoa idosa, o caso pode ser enquadrado em violações ao Estatuto do Idoso, que protege a dignidade e coíbe o tratamento humilhante.
Até o momento, não há confirmação oficial sobre a abertura de um inquérito policial pela Polícia Civil do Amapá para investigar o ocorrido.
Nas redes sociais, o pedido de desculpas dividiu opiniões. Enquanto alguns seguidores aceitaram a retratação, outros apontam que a mudança de postura foi apenas uma estratégia de “gerenciamento de crise”, após a queda nas métricas e o risco de perda de contratos publicitários. Diogo encerrou seu vídeo afirmando que pretende “tentar seguir a vida normal a partir de agora”.
