Por LEONARDO MELO, de Macapá (AP)
Condenado a 57 anos de prisão pelo triplo homicídio da família Konish, ocorrido em 2010, Wellington Raad, hoje com 35 anos, foi um dos principais alvos da Operação Contágio, do Ministério Público do Estado, que combate um grupo que comercializava produtos ilícitos dentro do sistema penitenciário do Amapá. Entre os produtos estavam drogas e celulares, em um sistema que teria movimentado pelo menos R$ 52 milhões, segundo as investigações. Dez mandados de busca e nove de prisão preventiva foram cumpridos em diversos bairros, no Iapen e na Associação de Assistência aos Condenados (Apac), onde Raad estava cumprindo pena.
De acordo com fontes do Iapen, ele teria sido beneficiado com uma decisão do juiz João Matos, ex-titular da Vara de Execuções Penais, que está afastado desde 2024 pelo CNJ. Na associação, ele tinha liberdade para fazer tarefas na rua, e o local não é vigiado por policiais penais, como ocorre em outras unidades do Iapen.

Operação conduzida pela promotora André Guedes, do MP
A Apac é uma entidade que visa à humanização do sistema prisional, focando na recuperação de detentos sem celas fechadas. Ela foi reativada em 2017, com apoio do TJAP, e segue uma espécie de doutrina de comportamento baseada em 12 princípios, como trabalho e espiritualidade.
De acordo com o MP, ele e outro preso são apontados como líderes do grupo que fazia o comércio clandestino funcionar dentro do Iapen, com a ajuda de outras pessoas em liberdade. Quando foi preso, aos 19 anos, Raad foi apontado como o assassino da professora e assessora do MP, Caroline (34 anos), e dos filhos dela, Marcelo (17) e Vitória (11). O crime ocorreu na residência da família, que foi morta a facadas.

Carolina Camargo foi morta com os filhos de 15 e 11 anos

Wellington Raad foi preso aos 19 anos. Ele sempre afirmou ser inocente
Ele nunca confessou o crime, mas uma marca de mão ensanguentada em um dos cômodos da residência o colocou na cena do crime. A defesa sempre negou qualquer envolvimento e tentou provar que o imóvel tinha sido invadido por criminosos encapuzados que teriam cometido o crime.
Em 2024, o Portal SN gravou uma série de podcasts com alguns dos crimes que mais impactaram o Amapá.

