Por SELES NAFES, de Macapá (AP)
A direção da Associação de Assistência aos Condenados (Apac), unidade que trabalha com internos do Iapen em regime de reinserção social no Amapá, negou que Wellington Raad, de 35 anos, condenado pelo triplo homicídio da família Konish, tinha liberdade para fazer tarefas na rua ou que estava em um local sem celas. A diretora da Apac, Hanna Sena, garantiu que a unidade possui celas, mas o Portal SelesNafes.Com apurou que elas ficam abertas o dia inteiro e algumas funcionam como suítes para visitas íntimas.
De acordo com a diretora, Raad “possuía dias e horários dentro e fora de cela para trabalho e afazeres, porém, jamais teve acesso à rua ou a pessoas externas”.
Ela também negou que o juiz João Matos tenha transferido Wellington Raad, como foi informado na reportagem anterior. Segundo a Apac, o magistrado responsável pela transferência foi Diogo Sobral.
Ainda conforme a direção, os internos participam, ao longo do dia, de diversas atividades, como marcenaria, jardinagem, horticultura, serviços gerais, artesanato e soldagem. A diretora confirmou que não há policiamento armado no local.
“À noite, eles participam das aulas escolares com os professores da escola prisional São José. Durante todas as 24 horas há inspetores de segurança fiscalizando, mas sem armamento policial”, informou.

Detentos participam de atividades profissionais e educacionais durante todo o dia. Foto: MP-AP

Wellington Raad afirma ser inocente do triplo homicídio, e foi um dos alvos da operação de ontem (8)
Um dos mandados de prisão preventiva cumpridos na Operação Contágio, deflagrada pelo Ministério Público com apoio das forças de segurança que integram a Ficco, foi exatamente na Apac, contra Wellington Raad. Ele está preso desde os 19 anos, quando foi apontado como autor do assassinato de Carolina (35), Marcelo (15) e Vitória (11) Konish, em 2011, no bairro Jardim Marco Zero, na zona sul de Macapá. O condenado atribui o crime a criminosos encapuzados.
Para o Ministério Público, Raad é um dos líderes de um grupo que teria movimentado mais de R$ 52 milhões com o comércio de drogas, celulares e outros produtos ilícitos dentro do Iapen. Ao todo, foram cumpridos nove mandados de prisão preventiva e dez de busca e apreensão.
Até esta terça-feira (8), ele permanecia na Apac.
