Por JONHWENE SILVA, de Santana
A Marinha do Brasil conduz uma complexa operação de salvamento no litoral do Amapá após um navio mercante permanecer à deriva por mais de 20 dias. A embarcação “MV Latifa”, de bandeira da República Unida da Tanzânia, apresentou falha no sistema de propulsão enquanto fazia a rota entre Cartagena, na Colômbia, e Montevidéu, no Uruguai, ficando sem condições de navegação nas proximidades da costa do Pará. Sem controle de deslocamento, o navio foi levado pelas correntes marítimas até a região costeira do município de Calçoene, a 363 quilômetros de Macapá, onde lançou âncora. Durante o período crítico, o comandante solicitou socorro, relatando escassez severa de alimentos, condições precárias de habitabilidade para a tripulação e a presença de resíduos oleosos a bordo, o que elevava o risco de danos ambientais em caso de acidente.
A operação é coordenada pelo Salvamar Norte, que mobilizou o navio-patrulha NPa Bocaina para prestar assistência. No dia 1º de abril, a embarcação militar conseguiu alcançar o MV Latifa, realizando o fornecimento emergencial de água potável suficiente para cerca de 15 dias. Além disso, uma equipe médica e um grupo técnico foram enviados a bordo para avaliar o estado de saúde dos tripulantes e as condições estruturais do navio.

Marinha buscou navio próximo à Calçoene. Fotos: Divulgação

Sem propulsação, navio foi trazido por correntes desde a costa do Pará. Fotos: Marinha/Divulgação
Apesar das notificações do Salvamar Norte, o proprietário da embarcação não conseguiu executar ações eficazes para solucionar o problema, como o reparo do sistema de propulsão. Diante dos riscos à segurança da navegação, à vida humana e ao meio ambiente, a Marinha decidiu iniciar, no dia 11 de abril, o reboque do navio até a cidade de Santana.
O trajeto, de aproximadamente 580 quilômetros, está sendo realizado pelo NPa Bocaina, com apoio final de uma embarcação da empresa Saam Towage. A previsão é de que o navio atraque no dia 15 de abril, no cais da empresa Silmar Navegação, em Santana, onde contará com melhor suporte logístico.
Após a chegada, o MV Latifa passará por inspeções conduzidas pela Capitania dos Portos do Amapá, além de procedimentos de fiscalização por parte da Polícia Federal, Receita Federal, Ministério Público do Trabalho e Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
