Por ANDERSON MELO, de Macapá
Após a interdição do Shopping Popular de Macapá, ocorrida em 22 de novembro de 2025, comerciantes afetados pela medida passaram a ocupar calçadas e áreas próximas ao empreendimento como alternativa para manter suas atividades no centro da capital. A decisão da Prefeitura de Macapá foi tomada com base em um laudo técnico que apontava suposto risco estrutural no prédio. No entanto, a medida gerou controvérsia após um parecer do Corpo de Bombeiros do Amapá descartar risco iminente de desabamento, recomendando apenas intervenções pontuais na estrutura, e o próprio CREA afirmar que o laudo foi assinado por um profissional em situação irregular.
A divergência entre os laudos deu início a uma crise institucional. O caso ganhou novos contornos com denúncias de possíveis irregularidades nos documentos utilizados para justificar a interdição com fins eleitoreiros, incluindo suspeitas de falsificação. A situação foi judicializada e passou a ser investigada por órgãos competentes.
Diante das inconsistências, a Justiça do Amapá determinou a suspensão de qualquer medida de demolição do prédio e exigiu análises mais aprofundadas sobre as reais condições estruturais do espaço. Até o momento, não há definição sobre a reabertura ou reestruturação do shopping.
Auxílio
Enquanto o impasse se prolonga, os trabalhadores enfrentam dificuldades para manter suas atividades. Atualmente, os comerciantes recebem um auxílio mensal da Prefeitura de Macapá no valor de R$ 3.036, destinado ao aluguel de pontos comerciais no centro da cidade. No entanto, segundo os próprios empreendedores, o valor não acompanha os preços praticados na região.

Laudo foi assinado por profissional em situação irregular

Novembro de 2025: comerciantes são notificados pela PMM a deixar o local
Sem alternativas viáveis, muitos permanecem no entorno do shopping, improvisando estruturas para continuar vendendo e garantir renda.
“O valor pago não é suficiente para que possamos alugar pontos comerciais. Nossa alternativa é permanecer na calçada para continuar vendendo até que possamos voltar para dentro do shopping ou sermos realocados em outro local”, relatou um comerciante, que preferiu não se identificar.
De acordo com a secretária municipal do Trabalho, Desenvolvimento Econômico e Inovação (Semtradi), Aline Medeiros, o auxílio foi a solução adotada pela gestão para minimizar os impactos da interdição.
“Recebemos relatos de que o valor não é suficiente para alugar pontos comerciais no centro. Por isso, estamos implantando uma estrutura na Rua Coaracy Nunes, entre as ruas Tiradentes e São José, para que eles consigam continuar trabalhando na área central”, afirmou.

Estrutura provisória sendo montada pela prefeitura. Fotos: Anderson Melo/Portal SN

Na frente…
Segundo Paulo Felix, presidente da Associação dos Empreendedores do Shopping Popular, devido às dificuldades com aluguel, um novo espaço será destinado aos trabalhadores.
“A prefeitura nos informou que iríamos para esse local na Rua Coaracy Nunes, mas uma movimentação de moradores da área paralisou a conclusão do espaço, que será destinado a 188 empreendedores. Diante do impasse, foi realizada uma audiência pública com moradores, prefeitura, Ministério Público e empreendedores. Ficou definido que iremos para o local assim que a estrutura for finalizada”, explicou.

Parecer do CREA atestou situação irregular do engenheiro
“Já nos reunimos com o prefeito Pedro Dalua, que informou que a montagem do novo espaço deve ser acelerada para que possamos realizar a transferência”, acrescentou.
Segundo a secretaria, atualmente 133 empreendedores individuais do Shopping Popular recebem o benefício. Além deles, 44 feirantes da antiga Feira do Caranguejo também foram contemplados e estão instalados em uma estrutura provisória na Rua Rio Maracá, entre as ruas São José e Cândido Mendes.

