Por JONHWENE SILVA, de Santana (AP)
Um navio mercante de bandeira da República Unida da Tanzânia atracou nesta quarta-feira (15) no município de Santana, a 17 km de Macapá, após uma complexa operação de resgate conduzida pela Marinha do Brasil no litoral do estado. A embarcação ficou a deriva por cerca de 20 dias após sofrer falha no sistema de propulsão.
O navio, identificado como “MV Latifa”, realizava a rota entre Cartagena (Colômbia) e Montevidéu (Uruguai). Sem condições de navegação, o navio acabou sendo arrastado pelas correntes marítimas até a região costeira de Calçoene, a cerca de 363 quilômetros de Macapá.
Durante o período crítico, a embarcação emitiu pedido de socorro, relatando a falta de alimentos, pouca água e condições precárias enfrentadas pela tripulação. Havia ainda preocupação com a presença de resíduos oleosos a bordo, o que representava risco de danos ambientais em caso de acidente.

Navio ficou cerca de 20 dias à deriva após falha no sistema de propulsão. Foto: Jonhwene Silva/SelesNafes.com

Tripulação enfrentou racionamento de comida e água em alto-mar. Foto: Jonhwene Silva/SelesNafes.com
A operação foi coordenada pelo Salvamar Norte, que mobilizou o Navio-Patrulha Bocaina para o resgate. Segundo o Capitão de Corveta Tiago Pereira, comandante da embarcação militar, a missão teve início no dia 31 de março, com deslocamento a partir de Belém, percorrendo cerca de 600 quilômetros ao longo de três dias.
“Os tripulantes estavam sob forte estresse, com alimentação racionada e situação emocional delicada. Eles não estavam sem alimento, mas já estavam em racionamento. O quadro médico apresentava que alguns membros da tripulação estavam abalados psicologicamente”, relatou o comandante.

Embarcação foi conduzida pela Marinha até o porto de Santana para inspeções. Foto: Jonhwene Silva/SelesNafes.com
O MV Latifa encontra-se agora atracado no Cais da Silmar Navegação, em Santana. A Polícia Federal (PF), informou que foi realizada a verificação documental da embarcação, análise das condições gerais da mesma e da situação dos tripulantes, composta por sete venezuelanos e um belga. A PF deu entrada regular aos estrangeiros.
Além das ações da PF, a atuação integrou ações da Receita Federal, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Ministério Público do Trabalho.

