Por ANDERSON MELO, de Macapá (AP)
Duas pessoas do Amapá passaram a integrar a lista de Difusão Vermelha da Interpol durante a Operação Travessia, deflagrada nesta quinta-feira (7) pela Polícia Federal para combater um esquema internacional de migração ilegal de brasileiros para os Estados Unidos. Além da inclusão dos nomes no sistema internacional de procurados, a PF também cumpriu um mandado de busca e apreensão no estado.
A corporação não divulgou os nomes e nem deu detalhes sobre como eles operavam a partir do Amapá. A operação também ocorreu em Goiás, onde foram cumpridos mandados de prisão preventiva e buscas contra integrantes do esquema criminoso. As investigações apontam que os grupos atuavam de forma estruturada, organizando rotas clandestinas utilizadas por brasileiros interessados em entrar irregularmente em território norte-americano.
Segundo a Polícia Federal, as apurações começaram após o desaparecimento de um casal goiano durante uma tentativa de travessia ilegal pela fronteira entre México e Estados Unidos. A partir disso, os investigadores identificaram a atuação de organizações criminosas especializadas no chamado serviço de “coiotes”, responsáveis por organizar toda a logística das viagens.
Ao longo da investigação, a PF identificou cinco organizações criminosas autônomas, mas integradas em uma mesma rede transnacional voltada à promoção de migração irregular. Os levantamentos foram realizados principalmente entre 2018 e 2023, embora existam indícios de atuação desde os anos 2000. De acordo com a Polícia Federal, pelo menos 477 brasileiros ingressaram ilegalmente nos Estados Unidos por meio do esquema, número que pode ultrapassar 600 pessoas.
Os grupos organizavam desde a saída aérea do Brasil até o deslocamento por países da América Central, especialmente Panamá e México, considerados rotas estratégicas utilizadas por redes criminosas para entrada irregular nos EUA.
Além do transporte, os investigados ofereciam hospedagem, suporte logístico e orientações durante o trajeto. A PF também identificou o uso de redes sociais e aplicativos de mensagens para atrair interessados nas viagens clandestinas.
As investigações apontam ainda a utilização de empresas de fachada, “laranjas” e mecanismos de lavagem de dinheiro para ocultar os recursos movimentados pelo esquema criminoso.

