SELES NAFES, de Macapá (AP) – Sete anos após o assassinato do assessor de comunicação Marcelo Pereira de Souza, de 36 anos, a Justiça do Amapá condenou os dois principais acusados de participação no crime ocorrido em abril de 2019, no bairro Brasil Novo, na zona norte de Macapá. O julgamento ocorreu ontem (27) no Tribunal do Júri da capital. O detento Antônio Carlos da Silva Gomes, o Coringa, apontado como mandante da execução, foi condenado a 32 anos e 15 dias de prisão em regime fechado pelos crimes de homicídio qualificado e corrupção de menor (executor). Já Chirley Marques da Silva recebeu pena de 18 anos e 9 meses de prisão, também em regime fechado, por participação no homicídio.
A sentença foi assinada pela juíza Lívia Cardoso, após decisão dos jurados que reconheceram a autoria dos crimes e as qualificadoras de motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima. A Justiça determinou a prisão imediata dos réus após a condenação. Coringa já cumpria pena de 46 anos por roubos.

Momento em que menor desde da motocicleta e atira contra Marcelo que conversava na calçada com Chirley

Mandante: Antônio Carlos da Silva Gomes, o ‘Coringa’. Fotos: Olho de Boto/SN
O crime aconteceu na tarde do dia 16 de abril de 2019, na Avenida Manga Rosa, ao lado da Escola Estadual Maria Cavalcante de Azevedo. Marcelo foi executado a tiros enquanto conversava na calçada com Chirley, ex-companheira com quem havia retomado contato. Segundo as investigações conduzidas pela Polícia Civil, ela teria sido usada como “isca” para atrair a vítima até o local da emboscada.
Imagens de câmeras de segurança mostraram o momento em que dois homens em uma motocicleta se aproximaram. O passageiro (de 17 anos que depois foi morto numa intervenção policial) desceu armado, atravessou a rua e atirou várias vezes contra Marcelo, que estava de costas e não percebeu a aproximação do atirador. A vítima ainda foi socorrida ao Hospital de Emergências, mas morreu pouco depois.
A Polícia Civil concluiu que a execução havia sido planejada dentro do Iapen por Coringa. De acordo com a investigação, o executor dos disparos era um adolescente de 17 anos ligado a uma facção criminosa. O menor já estava apreendido por outro homicídio ocorrido em Mazagão, onde a vítima foi decapitada. A motivação do assassinato teria sido ciúmes. De acordo com o processo, Coringa usava uma rede social de Chirley para aplicar golpes e teria descoberto mensagens entre ela e Marcelo.
Durante o cumprimento de mandados judiciais, policiais encontraram celulares e armas artesanais na cela de Coringa. A quebra de sigilo telefônico, mensagens trocadas entre os envolvidos, depoimentos e imagens do crime foram fundamentais para desmontar a versão dos acusados e sustentar a denúncia apresentada pelo Ministério Público.

Marcelo estava em Macapá acompanhando uma comitiva de Vitória do Jari quando foi atraído para uma armadilha pela ex
Emboscada
Na sentença, a magistrada destacou a premeditação do homicídio, o planejamento da emboscada e o fato de o crime ter ocorrido em plena luz do dia, ao lado de uma escola e em área movimentada. A juíza também considerou graves as consequências do assassinato para a família da vítima, especialmente para uma criança criada por Marcelo.
Na época do crime, a vítim morava em Vitória do Jari, no sul do Amapá, onde trabalhava como assessor de comunicação da prefeitura e mantinha um pequeno parque de diversões. No dia da execução, ele havia ido a Macapá acompanhando uma agenda oficial do então prefeito do município. Segundo a investigação, ele saiu da comitiva após informar a familiares que iria ao bairro Brasil Novo para vender uma máquina de algodão doce. No entanto, foi ao encontro de Chirley sem desconfiar do que poderia ocorrer.
A família comemorou a condenação dos acusados. “Minha mãe ainda chora muito pela perda”, comentou uma irmã da vítima.
