Livro revela que arquiteto comunista deixou 3 obras no AP encomendadas por governador linha dura

Obra resgata a história dos prédios da PM, da Seinf e da Escola Tiradentes, projetados por Vilanova Artigas durante a Ditadura Militar
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Por SELES NAFES, de Macapá (AP)

Um dos mais influentes arquitetos brasileiros do século XX, João Batista Vilanova Artigas, deixou sua marca em três importantes prédios públicos do Amapá. O detalhe que chama atenção é que o arquiteto, militante do Partido Comunista Brasileiro e perseguido pela Ditadura Militar, foi contratado para projetar edificações durante o governo do general Ivanhoé Gonçalves Martins, identificado com a ala mais conservadora do regime. A curiosidade histórica é uma das revelações do livro As histórias da História do Amapá, do jornalista Renivaldo Costa.

Segundo a obra, que será lançada no próximo dia 26, Artigas foi responsável pelos projetos do atual Comando da Polícia Militar do Amapá, da sede da Secretaria de Estado da Infraestrutura (Seinf) e da Escola Estadual Tiradentes. Reconhecido como um dos principais expoentes do modernismo e do brutalismo arquitetônico no Brasil, o arquiteto chegou a ser afastado da Universidade de São Paulo (USP) em 1969 por motivos políticos, tornando ainda mais simbólica sua presença na construção de parte da paisagem urbana amapaense.

Renivaldo, autor do livro “Histórias da História do Amapá”

O livro destaca a aparente contradição entre as convicções ideológicas do arquiteto e o contexto político da época.

“Como se o general, cujo cerne ideológico o colocava como adversário institucional do comunismo, tivesse reconhecido a urgência humanista de uma causa maior: a construção de um Estado que pudesse acolher seus cidadãos”, registra a publicação ao abordar a relação entre os projetos e o governo territorial.

Mais de cinco décadas depois, as três edificações continuam integradas ao cotidiano da população. O prédio da Polícia Militar é apontado como o mais preservado dos projetos originais. A Escola Tiradentes sofreu alterações ao longo dos anos, enquanto a sede da Seinf ainda mantém boa parte das características concebidas por Artigas, embora seja pouco reconhecida como patrimônio arquitetônico e cultural.

A história integra uma das dezenas de narrativas reunidas em As histórias da História do Amapá, obra que será lançada no próximo dia 26 de junho, às 19h, no Espaço Di Vetro, no bairro do Trem, em Macapá. Publicado pelas Edições do Senado Federal, o livro busca recuperar personagens, fatos e episódios pouco explorados da formação histórica, política e cultural do estado.

Seles Nafes
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