Por PEDRO PESSOA, de Belém (PA)
Uma cidadã de Serra Leoa está vivendo há mais de 60 dias nas dependências do Aeroporto Internacional de Belém, no Pará. Sem recursos para pagar hospedagem e impossibilitada de seguir viagem, Fatmata Sessai, de 56 anos, dorme no chão do terminal enquanto aguarda uma solução para o caso. Segundo informações da Defensoria Pública da União (DPU), a africana saiu de São Paulo com destino à Colômbia e fez uma parada na Venezuela. Durante a viagem, o passaporte dela foi retido para averiguação, o que a obrigou a retornar ao Brasil.
O documento foi posteriormente regularizado e devolvido. No entanto, Fatmata afirma que não conseguiu retomar a viagem. Ela chegou a comprar uma nova passagem, no valor de R$ 1,2 mil, mas o passaporte ainda não havia sido liberado a tempo do embarque. Sem conseguir utilizar o bilhete, acabou ficando sem recursos financeiros.

Fatmata dorme há dois meses no chão do terminal…

….enquanto espera uma definição sobre o passaporte
A situação foi comunicada à Polícia Civil do Pará, que realizou o acolhimento da estrangeira e confirmou a condição de vulnerabilidade social em que ela se encontra. Todos os dias, ela acorda cedo no aeroporto e consegue carona em ônibus para seguir até o centro da cidade. Lá, toma café da manhã e almoça em uma instituição que presta assistência a pessoas em situação de vulnerabilidade social. No período da tarde, retorna ao aeroporto, onde passa o restante do dia e também a noite.
Segundo a migrante, quando consegue alguma ajuda, o jantar costuma ser composto apenas por bolachas de água e sal e suco instantâneo. Sem renda e sem apoio familiar no Brasil, ela afirma depender da solidariedade de terceiros para suprir necessidades básicas.

Africana teve passaporte devolvido, mas ficou sem dinheiro para retomar a viagem para a Colômbia
Diante da complexidade do caso, a Defensoria Pública da União e o Ministério Público Federal (MPF) foram acionados. Em nota, o MPF informou que solicitou informações a diferentes órgãos e pediu providências para garantir acolhimento adequado à migrante enquanto a situação é analisada.
A DPU informou que ainda aguarda esclarecimentos oficiais sobre os motivos que impediram o embarque da cidadã africana e sobre a existência de eventuais restrições à saída dela do Brasil. Até a última atualização desta reportagem, a Polícia Federal não havia se manifestado sobre o caso.

