A fronteira nunca separou apenas dois países. Ela separou famílias

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Por CLÉCIO LUÍS

Durante quase três décadas, mães, pais, filhos, avós e irmãos viveram uma realidade difícil de explicar: podiam atravessar um rio em poucos minutos, mas precisavam enfrentar a burocracia de um visto para abraçar quem morava do outro lado.

Enquanto o afeto não conhecia fronteiras, a burocracia insistia em criá-las.

A supressão da exigência de visto representa mais do que uma decisão diplomática. Ela devolve humanidade à fronteira.

Significa que uma mãe poderá visitar um filho sem transformar um reencontro em um processo administrativo. Que um avô poderá conhecer o neto. Que irmãos poderão celebrar aniversários, casamentos e datas importantes com mais facilidade. Que famílias historicamente conectadas pelo rio Oiapoque voltarão a viver a fronteira como espaço de encontro, e não de separação.

Durante anos, o rio uniu, mas o visto afastou.

Agora, começa a cair uma das barreiras que mais pesavam sobre a vida cotidiana de quem vive na fronteira.

A decisão também reconhece que desenvolvimento não se mede apenas por obras ou investimentos. Mede-se pela capacidade de aproximar pessoas, fortalecer laços sociais e permitir que a vida aconteça com mais dignidade.

Quando uma fronteira facilita o reencontro de famílias, ela deixa de ser apenas um limite entre Estados. Ela volta a cumprir sua função mais nobre: conectar pessoas.

A maior conquista dessa decisão talvez não esteja nos documentos que deixam de ser exigidos. Está nos abraços que deixam de ser adiados.

Ponte Binacional, em Oiapoque

Seles Nafes
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