Por OLHO DE BOTO, de Macapá (AP)
A Delegacia de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) investiga a execução de Jeilson de Deus da Silva, de 27 anos, morto no início da madrugada desta quarta-feira (15), em uma área de ponte conhecida como Sapolândia, às margens do Canal do Jandiá, no bairro Pacoval, em Macapá. O crime ocorreu poucas horas depois de outro homicídio registrado no Residencial Miracema.
Segundo as primeiras informações levantadas pela Polícia Civil, Jeilson estava em frente à residência onde morava com a companheira quando foi abordado por homens ainda não identificados. Os criminosos exigiram acesso ao celular da vítima. Ao resistir e se recusar a fornecer a senha do aparelho, Jeilson acabou sendo executado com vários disparos de arma de fogo diante da mulher.
De acordo com o delegado José Mário Carneiro, responsável pelas investigações da DHPP, há fortes indícios de que o assassinato esteja relacionado à disputa entre facções criminosas.
“O que foi apurado é que a vítima estava na frente de casa com a companheira quando alguns homens chegaram e pediram para verificar o celular dele. A vítima apresentou resistência para mostrar o aparelho e, em razão disso, acabou sendo executada. A gente entende que é mais um caso envolvendo facções criminosas”, afirmou o delegado.

Executor chegou minutos depois dos primeiros suspeitos, segundo a investigação. Fotos: Olho de Boto/SelesNafes.com
As investigações apontam que Jeilson estava acompanhado de um homem identificado apenas como Lucas, que seria integrante de uma facção rival. Ele conseguiu escapar antes da execução.
“O Lucas conseguiu fugir das agressões dos infratores, mas o Jeilson permaneceu no local e acabou sendo executado. Temos informações preliminares de que o atirador chegou cerca de cinco minutos depois, provavelmente de bicicleta, apenas para executar a vítima”, explicou José Mário.
Para a Polícia Civil, o grupo criminoso pretendia fazer uma espécie de “triagem” por meio do celular da vítima para identificar se ela possuía ligação com alguma organização criminosa rival.
“É muito comum eles fazerem isso. Quando uma pessoa diferente da região entra no local, eles costumam pedir o celular para verificar se pertence a uma facção rival. Como o Jeilson apresentou resistência para mostrar o aparelho, eles podem ter entendido que ele era de uma facção adversária”, destacou.
Apesar de testemunhas relatarem que o executor utilizou uma pistola, nenhuma cápsula foi encontrada na cena do crime. Segundo o delegado, isso pode ser explicado pelas características do local.
“É uma área de ponte, alagada e com muito mato. As cápsulas podem ter se perdido no terreno”, disse.

Nenhuma cápsula foi encontrada, e as condições da área dificultam a apuração
José Mário também ressaltou que a investigação será desafiadora devido às condições da região, marcada pela pouca iluminação e pelo medo de moradores em colaborar.
“A área é muito escura, deserta, e conseguir testemunhas nesses casos é sempre difícil. As pessoas têm medo de depor, e também será complicado encontrar imagens ou outros vestígios. Mesmo assim, a DHPP vai trabalhar para identificar todos os envolvidos.”
Os criminosos fugiram levando os celulares de Jeilson e da companheira dele. A mulher não ficou ferida, foi ouvida pela Polícia Civil e recebeu proteção das equipes policiais.
A DHPP solicita que qualquer informação sobre os autores do crime seja repassada, de forma anônima, pelo telefone (96) 99170-4302. Segundo a Polícia Civil, a identidade do denunciante será preservada.
