Suspeito de matar rival por ciúmes foi executado após possível punição do “tribunal do crime”

Delegado afirmou que o caso foi totalmente esclarecido após a reunião de provas técnicas e depoimentos
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Por OLHO DE BOTO, de Macapá (AP)

A Polícia Civil do Amapá concluiu o inquérito que investigava a execução de Thiago Claudino da Silva, de 25 anos, conhecido como “Galinha”, assassinado na noite de 13 de março de 2026, no bairro Santa Rita, zona sul de Macapá. O caso era conduzido pelo delegado José Mário Carneiro, da Delegacia de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), que confirmou a elucidação do crime e o encerramento das investigações após a morte do principal suspeito.

O homicídio ocorreu na Rua Hildemar Maia, em frente a uma revendedora de veículos. Imagens de câmeras de segurança analisadas durante a investigação mostraram que Thiago caminhava pela via quando um homem desceu de um veículo vermelho e iniciou a perseguição. A vítima ainda tentou escapar correndo por aproximadamente 50 metros, mas foi alcançada e atingida por diversos disparos de pistola calibre 380. Após cair, o atirador se aproximou e efetuou novos tiros na cabeça, caracterizando uma execução.

Segundo a Polícia Civil, a análise técnica das imagens confirmou que a ação foi premeditada. Depois do crime, o autor dos disparos retornou ao automóvel e fugiu.

Imagens de câmeras de segurança foram decisivas para identificar o autor dos disparos. Fotos: Olho de Boto/SelesNafes.com

Na cena do crime, a Polícia Científica recolheu cápsulas de munição calibre 380. O exame necroscópico realizado no Departamento de Medicina Legal constatou múltiplas perfurações na cabeça, costas, braço esquerdo, glúteo esquerdo e ombro direito, evidenciando a violência da execução.

Durante meses de investigação, a DHPP reuniu depoimentos, provas técnicas e diligências que levaram à identificação de Tiago Rodrigues Palheta como autor do homicídio. Conforme o inquérito, o crime teve motivação passional, impulsionado por ciúmes e sentimento de posse.

As investigações apontaram que Tiago Rodrigues Palheta mantinha um relacionamento marcado por episódios de violência doméstica com a ex-companheira, incluindo perseguições, invasões à residência e ameaças de morte registradas em boletins de ocorrência. Após o fim da relação, a mulher iniciou um breve relacionamento com Thiago Claudino. Com medo do comportamento violento do ex-companheiro, o casal mantinha encontros de forma discreta. Mesmo assim, Palheta descobriu o relacionamento e passou a perseguir a vítima até executá-la.

O delegado José Mário Carneiro afirmou que a investigação identificou autoria, motivação e circunstâncias do crime

A Polícia Civil também apurou que Thiago Claudino possuía antecedentes por estupro e difamação no contexto de violência doméstica, além de ser usuário de maconha. No entanto, as diligências descartaram qualquer ligação da vítima com facções criminosas ou dívidas relacionadas ao tráfico de drogas.

O inquérito revelou ainda que Tiago Rodrigues Palheta possuía extensa ficha criminal, com registros por tráfico de drogas, furto, ameaça e invasão de domicílio, além de já ter cumprido pena no Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen). Relatórios de inteligência também apontavam suposta ligação dele com a organização criminosa Família Terror Amapá (FTA).

No decorrer das investigações, um novo fato mudou o desfecho do caso. No dia 27 de abril de 2026, pouco mais de um mês após o assassinato de Thiago Claudino, Tiago Rodrigues Palheta foi morto a tiros por dois homens no bairro Santa Rita, nas proximidades de sua residência.

De acordo com a principal linha investigativa, a morte do suspeito pode ter sido uma punição aplicada pela própria facção criminosa, em razão de ele ter executado a vítima sem autorização das lideranças da organização.

Com a comprovação da morte do autor apontado pelas investigações, a Polícia Civil declarou extinta a punibilidade, encerrando a persecução penal. O relatório final do delegado José Mário Carneiro concluiu que o homicídio foi totalmente elucidado, sendo anexada aos autos a documentação que comprova o óbito do suspeito, o que resultou no encerramento definitivo do inquérito.

Seles Nafes
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