Sabores da Amazônia viram vinhos de caju, cupuaçu e açaí na Expofeira

Empresa de família de Mazagão Novo transforma frutos amazônicos em bebidas e aposta no aproveitamento de matérias-primas que antes eram desperdiçadas
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Por JÚLIO MIRAGAIA, de Macapá (AP)

Do caju que antes apodrecia sob os cajueiros ao vinho produzido a partir do fruto. Em Mazagão Novo, no município de Mazagão, uma tradição familiar ganhou uma nova roupagem e passou a transformar frutos amazônicos em bebidas. A experiência é apresentada na Expofeira do Amapá 2026, em Macapá, pela empresa comandada por Grimaldo Melo, de 25 anos.

Há cerca de dois anos e meio no mercado amapaense, a empresa está com um estande na Expofeira 2026, onde apresenta ao público bebidas produzidas a partir de frutos como caju, cupuaçu, açaí e taperebá. A proposta é transformar matérias-primas da Amazônia em produtos de maior valor agregado, aliando conhecimento familiar, técnicas de produção e aproveitamento da biodiversidade regional.

A propriedade da família de Grimaldo e a empresa responsável pela produção dos vinhos estão instaladas em Mazagão Novo. A origem do negócio está ligada aos antepassados da família, descendentes de italianos que trouxeram conhecimentos sobre a produção de vinhos e, ao longo das gerações, adaptaram a técnica à realidade amazônica.

A iniciativa também busca gerar renda nos territórios onde os frutos são encontrados, por meio de colaboração com ribeirinhos e cooperativas. 

Entre as criações estão o açaí tinto, vinhos de cupuaçu e a bebida produzida a partir do caju. O taperebá também entrou na experiência e, segundo Grimaldo, teve uma procura tão grande na Expofeira que toda a produção disponível acabou sendo comercializada.

O vinho de caju nasceu de uma situação bastante comum na propriedade da família em Mazagão Novo. Grimaldo conta que era frequente encontrar muitos cajus desperdiçados no chão, apesar da abundância do fruto na região.

Foi então que ele decidiu aplicar o conhecimento que já tinha sobre fermentação para testar uma nova possibilidade de aproveitamento. “Por que eu não faço uma bebida dessa fruta?”, foi a pergunta que, segundo ele, deu origem ao experimento.

O teste inicial funcionou tão bem que a receita permanece a mesma desde sua criação. A empresa apresenta o produto como o primeiro vinho de caju produzido na Amazônia. A proposta é transformar um fruto abundante e pouco aproveitado em uma alternativa de geração de renda e agregação de valor.

Além do caju, a experiência se estende ao cupuaçu e ao açaí, dois frutos fortemente associados à identidade alimentar amazônica. A transformação desses produtos em bebidas amplia as possibilidades de aproveitamento da produção regional e coloca a bioeconomia no centro da iniciativa.

A Expofeira 2026 ocorre até 16 de agosto, no Parque de Exposições da Fazendinha, em Macapá, reunindo empresas, produtores, empreendedores e iniciativas ligadas à economia e à produção do Amapá. Informações sobre a empresa e seus produtos podem ser encontradas no Instagram @pizzolatoamz.

Seles Nafes
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