Abandonada pelo marido, mãe de 4 filhos enfrenta barriga d’água, rins parados e perda da visão

Sem renda e com dificuldades para se alimentar, Kelly Dayane da Silva Pinto conta com a solidariedade para enfrentar a doença
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Por RODRIGO ÍNDIO, de Macapá (AP)

*Veja ao fim da matéria como ajudar

Deitada em uma rede, com o corpo marcado pelo inchaço e pela dor, Kelly Dayane da Silva Pinto, de 39 anos, fala baixo, respira com dificuldade e tenta encontrar forças para contar a própria história. A barriga, muito aumentada pelo acúmulo de líquido — a chamada “barriga d’água” — limita seus movimentos. Os pés também estão inchados, e levantar-se já não é uma tarefa simples.

Natural de Macapá, Kelly é mãe de quatro filhos e passou a vida trabalhando como artesã e fazendo bicos para sustentar a família. Hoje, porém, é ela quem precisa de ajuda. Os primeiros problemas de saúde começaram em 2021, quando os rins pararam de funcionar e ela passou a depender de diálise. Durante a preparação para um transplante, descobriu também um problema cardíaco, com vazamento em uma válvula.

Com dores, Kelly Dayane da Silva Pinto, de 39 anos, tem dificuldade para contar sua história. Fotos: Rodrigo Índio/SelesNafes.com

Com o agravamento do quadro, surgiu a ascite, nome médico para o acúmulo de líquido no abdômen, popularmente conhecida como “barriga d’água”. Kelly relata ainda inchaço no fígado e presença de líquido nos pulmões, além de falta de ar, pés inchados, dores intensas e dificuldade para se alimentar.

“Eu fico todo o tempo inchada, com muita dor. Dá falta de ar e tenho muita dificuldade de sair daqui da rede”, conta.

A rotina é marcada por medicamentos e crises de dor. Ela diz que precisa tomar analgésicos com frequência e que, em alguns dias, a dor é tão forte que o sono é interrompido.

“Hoje eu acordei às cinco da manhã chorando de dor”, relata.

Pés inchados em decorrência dos problemas de saúde

Abandonada quando os filhos ainda eram pequenos

Enquanto a própria saúde se deteriorava, Kelly precisou lidar também com a ausência do marido. Ela conta que foi abandonada por ele quando os quatro filhos ainda eram pequenos e que, desde então, passou a enfrentar praticamente sozinha a responsabilidade de criá-los. Sem o companheiro e sem apoio da família paterna das crianças, a artesã viu a vida ficar ainda mais difícil justamente quando mais precisava de suporte.

“Eu criei eles desde pequenos e sempre dependeram de mim para tudo, principalmente para a escola”, diz.

Kelly Dayane vive de favor com os filhos em uma casa cedida pela mãe

Medicamentos constantes são parte da rotina para administrar a dor

Hoje, os filhos também ajudam nos cuidados com a mãe. A família mora de favor na casa da mãe e do padrasto de Kelly, no bairro Novo Buritizal. Entre os quatro filhos, há uma menina de 12 anos. É pensando neles que Kelly encontra forças para continuar. Seu maior medo não é apenas a doença. É não estar aqui para cuidar das crianças.

“Meu maior medo é um dia eu ir embora e deixar eles sozinhos. Ainda são menores e precisam muito de mim.”

A preocupação que vem antes da própria fome

Com a renda reduzida e sem receber, segundo ela, benefícios sociais que poderiam ajudar a família, Kelly enfrenta dificuldades até para garantir a alimentação dos filhos. Ela também precisa de medicamentos, fraldas descartáveis geriátricas e uma alimentação diferente, já que as dores, o inchaço abdominal e as crises de vômito dificultam a ingestão de alimentos.

Acúmulo de líquido no abdômen é resultado do agravamento do estado de saúde

Quando perguntada sobre o que mais precisa neste momento, não fala primeiro sobre si.

“Eu penso mais na alimentação por causa deles. A alimentação deles.”

Kelly conta que não consegue andar normalmente por causa das dores nas pernas e do inchaço e precisa usar fraldas. Também relata que não consegue se alimentar como antes e que precisa de alimentos com consistência adequada para conseguir ingerir.

A família vive, assim, uma rotina em que cada necessidade se soma à outra: comida para os filhos, remédios para Kelly, fraldas, cuidados diários e, principalmente, recursos para que ela consiga viajar em busca do tratamento de que necessita.

Uma viagem que pode representar uma nova chance
Kelly precisa realizar tratamento fora do Amapá para cuidar do problema relacionado ao acúmulo de líquido no abdômen. Segundo ela, esse atendimento é necessário para que possa dar continuidade à avaliação e aos demais procedimentos relacionados ao coração e ao transplante.

Sem condições financeiras para custear a viagem, familiares e pessoas próximas iniciaram uma campanha para arrecadar dinheiro.

“Eu aceito de tudo: alimentação, minhas fraldas, mas principalmente esse Pix que a gente está arrecadando para fazer a minha viagem e o meu tratamento”.

Mçae solo e abandonado pelo marido, mulher precisa de apoio para o tratamento e para cuidar dos filhos

Mesmo diante de tantas limitações, Kelly fala pouco sobre o que gostaria de ter para si. Seu desejo é voltar a ter saúde suficiente para cuidar dos filhos.

Ela sabe que a batalha é grande. Mas também sabe por que precisa continuar lutando.

“Eu quero muito a minha saúde de volta. Quero terminar de criar meus filhos.”

É por isso que, nesta fase tão delicada da vida, qualquer ajuda pode fazer diferença. Uma cesta de alimentos pode aliviar a preocupação de uma mãe. Um pacote de fraldas pode tornar o dia menos difícil. Uma contribuição pode ajudar a aproximá-la do tratamento que procura.

E, para Kelly, cada gesto representa mais do que solidariedade: representa a possibilidade de continuar sendo mãe.

Como ajudar Kelly e os quatro filhos

Quem puder contribuir pode entrar em contato diretamente com a família pelo telefone (96) 99139-4244, por ligação ou WhatsApp.
Pix para doações: 96 99139-42177
Titular informado pela família: Yuri Samuel da Silva Matos

Também são necessárias doações de alimentos, medicamentos e fraldas descartáveis geriátricas.

Endereço: Rua 13 de Setembro, nº 2758, bairro Novo Buritizal, próximo ao Residencial Jardim Açucena, em Macapá.

Kelly recebe as pessoas em casa e agradece qualquer ajuda que possa contribuir para a viagem e o tratamento.

“Que Deus possa tocar no coração de todos e me ajudar a chegar a esse tratamento, para eu ficar melhor e poder cuidar deles”.

Seles Nafes
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