Por OLHO DE BOTO, de Macapá (AP)
A Polícia Civil prendeu Tiago Wendell Nascimento da Piedade, o “Tiaguinho”, e Diagleson Krys de Souza de Sá, o “Pão Bola”, suspeitos de envolvimento em um violento ataque ocorrido no Conjunto Habitacional Miracema, em Macapá.
As prisões foram anunciadas nesta quarta-feira (26) pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Segundo a investigação conduzida pelo delegado José Mário Carneiro, Tiago estava preso no IAPEN e não teria gostado nada de descobrir que a ex-companheira estava se relacionando com outro homem. A situação teria sido classificada como “talaricagem” dentro do código de conduta de uma organização criminosa.
O ciúme teria virado ordem de execução e, de acordo com o inquérito, o comando teria partido de dentro da própria cadeia.

Segundo a polícia, suspeito teria usado uma videochamada de dentro do Iapen para identificar a vítima e ordenar o ataque. Foto: Arquivo/SN
O alvo era Nelson Rafael da Silva Borges. Na noite de 2 de fevereiro de 2025, três homens invadiram o apartamento onde ele estava. Armados com facas e tesouras, os suspeitos encontraram Nelson no banheiro e o levaram para a sala.
Antes de atacar, ainda teriam feito uma videochamada com Tiago, que estava no IAPEN. Segundo a investigação, o suspeito teria visto o rosto do rival pela tela do celular e, depois disso, ordenado a execução.
Nelson foi golpeado diversas vezes no tórax, abdômen e costas. Na tentativa desesperada de escapar da morte, pulou da janela do segundo andar.
Mas a fuga ainda não tinha terminado. Segundo o inquérito, mesmo durante a queda, ele foi atingido por golpes de tesoura na cabeça. Gravemente ferido, conseguiu correr pelo conjunto habitacional até ser socorrido pelo Samu.
A vítima foi levada ao Hospital de Emergência, passou por duas cirurgias e ficou 19 dias internada.

Vítima foi esfaqueada e golpeada com tesouras antes de pular do segundo andar para tentar escapar dos criminosos
Depois do ataque, os suspeitos teriam voltado ao apartamento. A mulher apontada como pivô da confusão também teria sido “punida”: segundo a investigação, teve o cabelo cortado com uma tesoura e foi chamada de “talarica”.
Do grupo apontado como responsável pelo ataque, Carlos Eduardo Palheta da Gama, o “TH”, e Marleson Santos dos Santos morreram posteriormente em confrontos com a Polícia Militar.
Tiago negou ter ordenado a morte, mas admitiu que monitorava a ex-companheira por suspeitar que ela estivesse se relacionando com outro homem. Para a polícia, porém, os elementos reunidos durante a investigação apontam a participação dele no atentado.
O mandado contra Tiago foi cumprido dentro do IAPEN. Já “Pão Bola” acabou preso de uma forma inusitada: foi capturado justamente enquanto se apresentava ao delegado José Mário Carneiro, na sede da DHPP.
A dupla foi indiciada por tentativa de homicídio qualificado por motivo fútil e mediante recurso que teria dificultado a defesa da vítima.
