Amapá poderá ter sozinho o equivalente às reservas atuais do Brasil, afirma Randolfe

Senador estima potencial de quase 14 bilhões de barris na costa amapaense e defende que porto, refinaria, empregos e investimentos permaneçam no estado
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Por SELES NAFES, de Macapá (AP)

O potencial petrolífero da costa do Amapá pode representar, sozinho, uma quantidade de petróleo equivalente às reservas atuais apontadas pelo senador Randolfe Rodrigues (PT) para todo o Brasil. A projeção foi feita nesta segunda-feira (31), durante entrevista ao programa Balanço Geral, da TV Equinócio. Segundo ele, a nova fronteira energética pode chegar a quase 14 bilhões de barris, dimensão que, na avaliação do parlamentar, tem capacidade para transformar a economia amapaense nas próximas décadas.

“Nós podemos ter na costa do Amapá uma reserva de quase 14 bilhões de barris. Sabe qual é a produção de petróleo que o Brasil tem hoje? 14 bilhões de barris. Isso vai colocar o Brasil entre os principais exportadores de petróleo do mundo”, afirmou. Para Randolfe, porém, mais importante do que a dimensão da descoberta será decidir onde ficará a riqueza gerada pela exploração.

O senador defendeu que o Amapá não repita com o petróleo experiências vividas em outros ciclos minerais. Ele lembrou a exploração de manganês, caulim e ouro para argumentar que a simples retirada de recursos naturais não garante desenvolvimento duradouro. Desta vez, segundo Randolfe, o estado precisa abrigar parte relevante da cadeia produtiva, gerar empregos para os amapaenses e receber investimentos estruturantes.

Nesse cenário, o parlamentar defendeu que eventuais estruturas necessárias à indústria petrolífera sejam construídas no próprio estado. “A refinaria, se tiver, tem que ter aqui. O porto, se tiver construído pela Transpetro, tem que ser aqui”, declarou. Randolfe mencionou áreas entre Macapá e Santana, além da região da Foz do Amazonas e de Calçoene, como possibilidades para receber investimentos associados à nova atividade econômica.

A preparação da mão de obra, segundo o senador, precisa começar antes da consolidação da exploração comercial. Randolfe colocou a educação e a qualificação profissional como peças centrais para que os empregos criados pela atividade sejam ocupados pela população local. A estratégia, segundo ele, deve conectar petróleo, infraestrutura, formação profissional, geração de renda e diversificação da economia.

Durante a entrevista, Randolfe também tratou de outros temas nacionais com reflexos no Amapá. Falou sobre o fim da escala 6×1, saneamento básico, agronegócio e educação, relacionando essas pautas à necessidade de crescimento econômico acompanhado de melhoria das condições de vida. Para o senador, o desafio é fazer com que a eventual riqueza bilionária da costa deixe de ser apenas um recurso extraído do território e se transforme em desenvolvimento permanente para o Amapá.

Seles Nafes
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