Por RODRIGO ÍNDIO, de Laranjal do Jari (AP)
Ela é a única do Brasil e nasceu no extremo sul amapaense. A maionese artesanal de castanha-do-Brasil (também chamada de castanha-da-Amazônia ou castanha-do-Pará) é um dos grandes destaques da Feira de Negócios realizada pelo Sebrae em Laranjal do Jari, a 268 km de Macapá, para dar voz, visibilidade e mercado a quem produz na região.
Desenvolvida pelo acadêmico Francisco Barbosa, de 34 anos, a iguaria sem conservantes tem patente registrada no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), remunera comunidades extrativistas e mostra como a bioeconomia local ganha fôlego para conquistar o mundo.
A criação de Francisco é 100% natural, livre de aditivos industriais e traz a assinatura de quem viveu na pele os desafios do interior. Pai, casado, comunicador e guia turístico nas horas vagas, ele concretiza hoje um projeto que começou a ganhar forma nas salas de aula do Instituto Federal do Amapá (Ifap).

Produtos já foram patenteados. Fotos: Rodrigo Índio/Portal sn
“Minha história é muito sofrida. Comecei a estudar no EJA. Já do EJA fui indo para o superior. Hoje eu estou terminando a minha faculdade de Engenharia Florestal e veio a ideia que surgiu no Ifap aqui em Laranjal do Jari, a iniciativa de fazer a maionese feita de castanha-do-brasil. Vai fazer cinco anos trabalhando esse projeto”, relembra o empreendedor.
A inquietude para transformar o fruto símbolo da região em molho gourmet surgiu de maneira inusitada, durante um lanche corriqueiro na praça da cidade.
“A ideia surgiu quando comprei um hambúrguer de um amigo aqui na praça da cidade. Eu estava cansado de comer os mesmos molhos, aí vi as castanhas e me questionei: ‘por que não usar a castanha, que eu gosto tanto?’. Veio e bateu aquele leque que a gente é acostumado a comer essa maionese tradicional, e veio aquele leque: ‘por que não fazer uma maionese de castanha-do-brasil?’”, conta.

Universitário diz que estava cansado de comer hamburguer sempre com os mesmos molhos
Com a orientação do professor Wallace Reis, a receita experimental ganhou rigor científico e se consolidou como uma inovação de propriedade intelectual reconhecida nacionalmente.
Muito além do sabor inusitado e do alto valor nutricional, o negócio contrapõe o consumo de ultraprocessados e coloca em prática uma tese de impacto socioambiental direto. Toda a matéria-prima que abastece a produção vem do extrativismo sustentável praticado por famílias ribeirinhas e comunidades tradicionais do Vale do Jari, como a Reserva Extrativista do Rio Iratapuru.
A partir desse insumo nobre, Francisco não parou na maionese e expandiu o catálogo da marca Derivados da Amazônia, criando produtos como o molho de pimenta de castanha-do-brasil, petiscos crocantes e a mais nova aposta do negócio: os bombons gourmet de castanha-do-brasil.

Outros produtos derivados da castanha ganharam forma
“Cem por cento desses produtos, a gente compra dos produtores rurais e a gente faz a parte do beneficiamento só. Que é fazer a maionese de castanha, fazer o molho de castanha, fazer o bombom gourmet e fazer o petisco embaladinho aqui. Eu falo para todo mundo: a gente vende isso, a gente vende sustentabilidade e ajuda a manter a floresta em pé e ajuda as comunidades ribeirinhas através da compra desses produtos para nós vendermos”, explica.
Com o suporte financeiro e estrutural do programa SinaspBio, o estudante montou uma mini-indústria alimentícia no próprio município. A fábrica gera atualmente dois empregos diretos e já se prepara para ampliar a equipe conforme a demanda cresça.
Apesar de a produção ser de média escala, o tempero com identidade amapaense ganhou o mercado nacional em estados como São Paulo e Rio de Janeiro, atravessando inclusive o Oceano Atlântico em envios para a França. Atualmente, a marca negocia um contrato de fornecimento com o setor privado para ganhar escala industrial.
“Não tem em outro lugar, só aqui em Laranjal do Jari. É a única do Jari, única do Brasil e a única do mundo, maionese de castanha-do-brasil. É nossa! Lembrando que é patenteada no INPI. É um produto nosso que surgiu no Ifap pro mundo”, orgulha-se.

Feira de Negócios do Sebrae virou vitrine…

Em Laranjal do Jari
Para o inventor, a Feira de Negócios promovida pelo Sebrae funciona como uma vitrine fundamental para impulsionar empreendedores locais e conectar o trabalho do interior às grandes oportunidades de mercado.
“Estava conversando com um colega e falei: nem parece que aqui é o terminal rodoviário, de tão lindo que está. Isso daqui é uma feira única, que a gente tem que aproveitar cem por cento mesmo. Pegar, colocar o cadeado aqui e ir para cima, abraçar e apresentar seus produtos, porque é daqui que saem grandes oportunidades de negócios para o Brasil e para o mundo”, conclui.
SERVIÇO
Os produtos da linha Derivados da Amazônia podem ser encontrados no perfil oficial no Instagram @derivadosdaamazonia ou encomendados pelo WhatsApp (96) 99107-5817.
