Furlan prepara Vinícius para ser o ‘homem-forte’ do governo; Luciana poderá governar

Deputado federal investigado na Operação Pedágio tem planos ambiciosos dentro do governo; se Furlan for cassado após uma possível vitória, a vice poderá governar
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Por SELES NAFES

A campanha do candidato ao governo do Amapá Antônio Furlan (PSD) decidiu não “esconder” mais das redes sociais e do grande público que ele tem como vice a ex-deputada estadual Luciana Gurgel, esposa do deputado federal Vinícius Gurgel (PL), investigado pela Polícia Federal na Operação Pedágio. Agora, os dois aparecem juntos com maior frequência nos conteúdos da campanha seguindo uma estratégia: esvaziar as polêmicas. A escolha de Luciana foi uma imposição de Vinícius, numa demonstração de força de quem pretende ser o “homem-forte”, com grande influência num eventual mandato de Furlan no comando do Estado.

Furlan tenta reduzir desgaste ao normalizar a aliança. Foto: Reprodução

 

Vinícius é um dos investigados na Operação Pedágio, da Polícia Federal, que teve a primeira fase em 2019. O objetivo de investigar a cobrança de propinas por dirigentes do DNIT de empresas contratadas para a manutenção da BR-156. Em muitos casos, os serviços eram pagos, mas não realizados. Dois dirigentes foram presos. Em 2022, a Procuradoria-Geral da República pediu ao STF autorização para incluir Vinícius Gurgel como investigado no inquérito, já que era ele quem indicava os dirigentes do DNIT envolvidos no esquema. Um dos investigados firmou acordo de colaboração premiada homologado pela Justiça.

O processo tramita sob sigilo. Em janeiro deste ano, o STF encaminhou o inquérito à PGR depois da realização de diligências e do depoimento do deputado federal. Em fevereiro, a PF realizou mais uma fase da operação, desta vez com o cumprimento de mandados na residência de Vinícius e Luciana Gurgel.

Equipes da PF na residência de Vinícius Gurgel, em fevereiro deste ano. Foto: Rodrigo Índio/Portal SN

Vinícius tem planos ambiciosos. A presença de Luciana Gurgel na chapa representa, na prática, o plano dele de exercer o máximo de influência dentro do governo. E o cenário pode ser ainda mais favorável. Em caso de eventual cassação do mandato de Furlan, que enfrenta grandes problemas judiciais para manter a candidatura em pé, existe a possibilidade de Luciana assumir o governo, se a chapa não for toda cassada.

De qualquer forma, para tentar esvaziar a polêmica e reduzir o desgaste que o casal provoca na campanha de Furlan, que caiu seis pontos nas pesquisas enquanto Clécio cresceu na mesma proporção, os marqueteiros decidiram escancarar a aliança. A estratégia é tentar dissipar a controvérsia bem antes do primeiro turno.

Resta aguardar a próxima pesquisa Genial/Quaest para saber se a estratégia deu certo.

Seles Nafes
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