Por RODRIGO ÍNDIO, de Macapá (AP)
O sonho do emagrecimento rápido virou caso de polícia no Amapá. A Delegacia de Crimes contra o Consumidor (DECCON) e a Anvisa deflagraram a Operação Dose Certa, focada em estourar pontos de venda clandestina da tirzepatida — a substância ativa do Mounjaro, medicação que virou febre nas redes sociais pela perda drástica de peso.
Para facilitar a compreensão do público sobre como desconfiar do preço do produto, a reportagem perguntou à delegada responsável pelo caso a quanto o produto era vendido, mas ela informou que “essa informação não será divulgada no momento”.
Risco de contaminação
A polícia cumpriu quatro mandados de busca e apreensão na capital, invadindo endereços que iam de condomínios populares a residências de alto padrão. Nesses locais, golpistas e vendedores informais faturavam alto oferecendo o produto via redes sociais.

Armazenamento sem refrigeração…

…e até ao lado de outros produtos
O Mounjaro original tem venda autorizada no Brasil sob rigoroso controle médico e exige refrigeração constante. No entanto, as versões apreendidas pela polícia — vindas clandestinamente do Paraguai — eram mantidas de qualquer jeito.
Em um dos alvos, os agentes encontraram as ampolas e seringas com o produto estocadas sem refrigeração, ao lado de um vidro de cola instantânea. Além do risco biológico e da falta de higiene, os produtos não tinham qualquer registro sanitário, com rótulos e embalagens em espanhol.
Diante do volume de caixas, canetas e frascos recolhidos, a delegada titular da DECCON, Janeci Monteiro, deixou um recado direto tanto para quem compra quanto para quem lucra com a prática ilícita.

Rótulos em espanhol…

Quatro mandados foram cumpridos
“Este é um alerta da Polícia Civil aos consumidores que têm adquirido esse tipo de produto por meio de rede social — um produto agora conhecido para fins estéticos de emagrecimento —, bem como para aquelas pessoas que têm se aventurado nessa prática criminosa: novas ações ocorrerão. Essa é apenas a primeira fase dessa operação”.
Todo o material recolhido passará por perícia para identificar quais substâncias químicas realmente estavam sendo injetadas pelos consumidores. A DECCON agora trabalha para mapear os atravessadores que trouxeram a “fórmula paralela” do Paraguai até as redes sociais no Amapá.
