Por SELES NAFES, de Macapá (AP)
A reportagem da Record nacional que apontou uma suposta e grave ligação entre o candidato ao governo Antônio Furlan (PSD) e o crime organizado nas eleições de 2024 caiu como uma bomba na campanha do ex-prefeito, que agora tenta conter o prejuízo. Neste sábado (12), o delegado Estéfano Santos, lotado justamente na Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), entrou em campo para tentar desqualificar a matéria e afastar qualquer associação de Furlan com facções criminosas, sem citar investigação que corre em sigilo na Polícia Federal. Apenas um dia antes da matéria da Record, o próprio delegado havia aparecido publicamente em um vídeo de apoio à campanha de Furlan.
Na tentativa de rebater a reportagem, Estéfano afirmou que concedeu entrevista à Record porque foi convidado para falar sobre o combate ao crime organizado, e não sobre crimes eleitorais. Nesse ponto, o delegado tem razão: sua entrevista foi utilizada no trecho que contextualizou o avanço das organizações criminosas no Amapá.

A matéria, porém, não atribuiu a ele qualquer acusação contra Furlan. A reportagem queria mostrar a tentativa de infiltração do crime organizado na política, e citou como exemplo o caso do ex-candidato a vereador Luanderson Alves, o “Caçula” (PSD), apontado como integrante de facção e que recebeu apoio político de Furlan na eleição municipal.
Na semana passada, Caçula teve o diploma de suplente cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE). A Justiça Eleitoral concluiu que ele utilizou a influência do tráfico para obter votos no Residencial Macapaba, maior conjunto habitacional do Estado, com cerca de 30 mil moradores, localizado na zona norte de Macapá. A Record montrou o depoimento gravado por Caçula que seria usado em uma delação premiada, onde ele cita a suposta participação de Furlan na negociação com a facção.
O delegado apoiador
Diante da reação da opinião pública, veículos de comunicação e influenciadores ligados a Furlan divulgaram amplamente o vídeo do delegado Estéfano Santos, neste sábado, apoiador declarado do candidato do governo.
Estéfano fez praticamente uma peça de defesa, ao afirmar que nenhuma investigação conduzida pela Draco aponta Furlan como alguém envolvido com o crime organizado. A declaração poderia ser interpretada apenas como um esclarecimento técnico da autoridade policial, não fosse um fato ocorrido poucos dias antes: o delegado havia emprestado sua imagem (foto em destaque) justamente à propaganda eleitoral do candidato, que agora tenta desvincular das suspeitas levantadas pela reportagem.
