Por SELES NAFES, de Macapá (AP)
Por unanimidade, o TRE do Amapá negou o registro da candidatura a deputado estadual do advogado Hugo Silva (REP), ex-apoiador do candidato ao governo Antônio Furlan (PSD), por suposta ligação com o crime organizado. A decisão acolheu pedido do Ministério Público Eleitoral. Procurado pela reportagem do Portal SelesNafes.Com, ele disse ter sido absolvido das acusações.
A procuradora eleitoral Sarah Cavalcanti fez sustentação oral durante o julgamento desta terça-feira (15). Ela lembrou que Hugo Silva foi um dos alvos da Operação Queda da Bastilha, deflagrada pela Polícia Federal e pelo Gaeco em 2024 (quando ele integrava o grupo político de Furlan). A investigação apurou um esquema de favorecimento a integrantes de facções criminosas envolvendo servidores do Iapen, um delegado e advogados. Alguns investigados foram presos na época, enquanto outros foram alvos de busca e apreensão.
De acordo com a procuradora, Hugo Silva fazia a ponte entre integrantes de facção e servidores do Iapen para livrar criminosos do uso de tornozeleiras eletrônicas. Durante a sustentação oral, Sarah Cavalcanti apresentou transcrições de conversas interceptadas entre Tio Chico e a advogada Verena. Em um dos diálogos, ele oferecia o contato de Hugo Silva para viabilizar o acesso ao esquema.

Parte da investigação exibida durante julgamento da candidatura

Líder da FTA afirma que o advogado
“O nome de Hugo era difundido como pessoa central do esquema. O Tio Chico (líder da FTA) oferece à Verena (advogada dele) o contato de Hugo para ela viabilizar o esquema que o deixaria sem tornozeleira, permitindo a sua fuga. Ela respondeu que já tinha esse esquema”, narrou a procuradora.
Após o julgamento, Hugo Silva gravou um vídeo afirmando que foi inocentado no processo relacionado ao caso e que pretende apresentar essa decisão à Justiça Eleitoral e recorrer do indeferimento de sua candidatura.
“A minha candidatura é íntegra. Buscaram uma decisão de absolvição que não tem nada a ver e nem fato novo. Vou juntar o acórdão e recorrer dessa decisão [do TRE]. Querem criminalizar a advocacia”, declarou.
Apesar da antiga ligação política com Furlan em 2024, o advogado afirmou agora que não está “do lado de A ou de B”.
