PF apreende R$ 1,2 milhão em dinheiro vivo e afasta 12 servidores em Belém

Operação investiga suspeitas de desvio de recursos públicos e corrupção envolvendo uma empresa pública federal
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Por PEDRO PESSOA, de Belém (PA)

A Polícia Federal apreendeu mais de R$ 1,2 milhão em espécie durante uma operação que investiga suspeitas de desvio de recursos públicos e corrupção envolvendo uma empresa pública federal em Belém. A ação foi deflagrada nesta terça-feira (15) e também resultou no afastamento de 12 servidores lotados em um órgão que a PF não divulgou o nome.

Batizada de Operação Sonar, a investigação é realizada em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU). Uma pessoa foi presa em flagrante por suspeita de lavagem de dinheiro após ser encontrada com a quantia em espécie, que, segundo a PF, não teve a origem lícita comprovada.

Além do dinheiro, os agentes apreenderam joias, veículos de luxo, documentos, computadores e dispositivos de armazenamento que devem passar por análise durante o avanço das investigações.

Ao todo, 12 mandados de busca e apreensão são cumpridos em imóveis residenciais, empresas e endereços institucionais na capital paraense. As medidas foram autorizadas pela 4ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Pará.

Servidores afastados e R$ 17 milhões bloqueados

A Justiça Federal determinou o afastamento de 12 servidores das funções públicas. Eles ficam impedidos de acessar as instalações e os sistemas da empresa investigada e também não podem manter contato entre si ou com fornecedores relacionados ao caso.

Polícia Federal não divulgou o nome do órgão investigado onde 12 foram afastados

Outra medida determinada pela Justiça foi o bloqueio de até R$ 17 milhões em bens e valores dos investigados. A decisão busca preservar recursos que poderão ser utilizados para ressarcir os cofres públicos caso os prejuízos sejam confirmados.

A investigação alcança 35 pessoas, que tiveram autorizadas as quebras dos sigilos bancário e fiscal. Contratos e cessões de uso ligados às empresas investigadas também tiveram a suspensão determinada.

Suspeita de propina para liberar pagamentos

As investigações apontam que o esquema teria usado pagamentos de serviços já executados como forma de pressionar fornecedores.

Segundo a apuração, faturas eram retidas, e empresas que aguardavam o recebimento pelos serviços prestados teriam sido cobradas pelo pagamento de comissões em dinheiro para conseguir a liberação dos valores.

A PF também apura indícios de direcionamento de contratos. Situações emergenciais teriam sido criadas artificialmente para permitir que determinadas empresas, previamente escolhidas, fossem contratadas.

Há ainda suspeita de utilização de empresas sem estrutura operacional e de pessoas interpostas para movimentar, esconder e dar aparência de legalidade aos recursos obtidos pelo suposto esquema.

Os investigados podem responder, conforme a participação de cada um, por crimes como organização criminosa, peculato, concussão, corrupção passiva, irregularidades em licitações e contratos administrativos, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

Todo o material recolhido durante a operação será analisado pela Polícia Federal e permanecerá à disposição da Justiça Federal.

Seles Nafes
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