Associação diz que após infiltração em júri de servidora faccionada, PMs temem perder o emprego

Presidente da associação afirma que condenação gerou insegurança entre policiais em ocorrências que exigem uso de arma de fogo
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Por SELES NAFES, de Macapá

Advogados do sargento Adelson, que está cumprindo pena por morte em intervenção policial, estão em Brasília para acompanhar o julgamento de um recurso que pode anular o júri realizado em Macapá, que teve entre os jurados uma mulher que, segundo a defesa, possui vínculos com integrantes de facção criminosa e já cumpriu pena no sistema prisional. Em entrevista na manhã desta segunda-feira (21) à Rádio 101 FM, o capitão Miranda, presidente da Associação dos Policiais Militares do Amapá, afirmou que a condenação gerou insegurança entre integrantes da corporação para atuar em ocorrências nas quais é necessário o uso de arma de fogo.

“Estão com medo de perder seus empregos. Me perguntam que precisanmos tratar os bandidos com flores ou se precisam se acorvadar”, ressaltou.

Em 2020, Adelson matou um assaltante conhecido como Urubu durante uma intervenção para prendê-lo. O homem havia participado de um assalto a uma residência onde uma família foi mantida sob tortura durante horas. O processo contra o sargento Adelson foi julgado nas instâncias do Judiciário do Amapá após a condenação, em maio deste ano, a quase sete anos de prisão em regime fechado, além da perda do cargo.

A pena está sendo cumprida no Centro de Custódia do Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen). O sargento Adelson coleciona condecorações e elogios em sua ficha funcional na Polícia Militar, onde atua há mais de duas décadas. A defesa e representantes da OAB questionam o resultado de 4 votos a 3 no Conselho de Sentença e sustentam que uma das juradas tinha um filho que morreu em confronto com o Batalhão de Operações Especiais (Bope).

Sargento está cumprindo pena de quase 7 anos, e foi condenado à perda do emprego

Além disso, segundo a defesa, a jurada já cumpriu pena no Iapen por tráfico de drogas e receptação e teria relações pessoais com integrantes apontados como lideranças da facção FTA. Os advogados também alegam que ela realizava visitas no presídio. A defesa e integrantes da PM consideram que essas circunstâncias levantam suspeitas sobre uma possível infiltração do crime organizado no Tribunal do Júri.

“Eu vejo com muita preocupação. A nossa corregedoria é muito atuante e, nos últimos concursos, conseguiu impedir a participação de candidatos faccionados que tentavam ser policiais”, afirmou o capitão Miranda em entrevista aos jornalistas Eraldo Trindade e Felipe Peixoto.

Para ele, a PM tem impedido a ampliação do poder das facções nas ruas por meio do trabalho de inteligência e da força policial.

“Já colocaram até bandeira em antena de TV e expulsaram moradores de casa. Nós fomos lá, expulsamos e prendemos os traficantes. Não sei se os moradores retornaram para as casas, mas nenhum traficante ficou lá porque a PM é muito atuante”, avaliou.

“Falam que tem muita atuação com morte aqui, mas é porque as facções querem tomar o poder e a gente não está deixando”, acrescentou.

O presidente da associação afirmou que a intenção da defesa e de representantes da categoria é conseguir a anulação do julgamento e a libertação do sargento Adelson. Ele pediu que o Ministério Público e o Tribunal de Justiça se manifestem a respeito do tema.

Seles Nafes
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