“Taxa do crime”: facções atacam estabelecimentos que não concordam com cobranças

Criminosos exigem pagamentos para permitir funcionamento de estabelecimentos; academia foi invadida após proprietários recusarem cobrança
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Por PEDRO PESSOA, de Belém (PA)

Pagar ou sofrer represálias. A ameaça faz parte de uma prática criminosa que tem assustado comerciantes e trabalhadores em diferentes pontos da Região Metropolitana de Belém: a chamada “taxa do crime”. O esquema consiste na cobrança de dinheiro de comerciantes, empresários e até trabalhadores autônomos para que possam continuar exercendo suas atividades em determinadas áreas. Quando há recusa, as vítimas podem ser ameaçadas e estabelecimentos podem sofrer ataques. Casos com essas características vêm sendo investigados pela Polícia Civil em diferentes regiões da Grande Belém.

O episódio mais recente ocorreu no bairro do Paar, em Ananindeua. Uma academia foi invadida e depredada neste domingo (21). Segundo os proprietários, o ataque aconteceu depois que eles se recusaram a pagar uma cobrança feita por criminosos.

Imagens das câmeras de segurança mostram o momento em que os invasores quebram um vidro para entrar no estabelecimento. Lá dentro, computadores são destruídos, gavetas são vasculhadas e a mesa da recepção é derrubada junto com equipamentos eletrônicos. Os suspeitos fugiram após a ação.

Cobranças em diferentes regiões

O caso do Paar se soma a outras ocorrências e investigações relacionadas à cobrança ilegal de comerciantes na Região Metropolitana. A Polícia Civil prendeu, no bairro da Cabanagem, em Belém, um homem apontado como integrante de uma facção criminosa. De acordo com a investigação, o suspeito participava da cobrança de valores de comerciantes e também era investigado por envolvimento em um ataque contra um estabelecimento no bairro do Mangueirão. A ação teria ocorrido depois que o proprietário se recusou a pagar a chamada “taxa do crime”.

Em Mosqueiro, uma investigação da Polícia Civil também revelou um esquema de extorsão contra empresários e trabalhadores. Segundo a polícia, motoristas de vans e mototaxistas estavam entre as vítimas e eram obrigados a fazer pagamentos ao grupo sob ameaça. A investigação resultou em prisões e cumprimento de mandados durante a Operação Castelo de Cartas.

Ananindeua também já registrou denúncias semelhantes. No bairro Curuçambá, comerciantes relataram ameaças e cobranças atribuídas a criminosos, além do medo de sofrer represálias caso procurassem a polícia.

Em outro episódio, no bairro 40 Horas, uma mulher foi identificada após câmeras de segurança registrarem o momento em que um bilhete era deixado em um estabelecimento comercial. A mensagem continha uma cobrança e um número de telefone para contato. O caso foi relacionado pela investigação a uma suspeita de extorsão contra comerciantes.

Ameaças dificultam denúncias

Embora os episódios revelem que o problema atinge diferentes áreas, não há, nos dados consultados, um levantamento público consolidado que permita afirmar quantos comerciantes são vítimas atualmente ou quais bairros concentram mais ocorrências na Grande Belém.

Um dos obstáculos é justamente o medo. Em alguns dos casos já divulgados, comerciantes relataram receio de denunciar as cobranças e sofrer ataques contra os estabelecimentos ou contra a própria família.

A prática pode configurar crime de extorsão quando alguém é constrangido, mediante violência ou grave ameaça, a entregar vantagem econômica.

No caso da academia invadida no Paar, a Polícia Civil informou que a ocorrência foi registrada na delegacia da Cidade Nova. Testemunhas estão sendo ouvidas e as imagens das câmeras de segurança são analisadas para identificar os envolvidos e esclarecer a motivação do ataque.

Seles Nafes
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