Por RODRIGO ÍNDIO, de Macapá (AP)
O lema “na alegria e na tristeza, na saúde e na doença” ganhou uma atualização bastante literal na tarde da última sexta-feira (25), no extremo norte do país. Um casal suspeito de comandar um ponto de venda de drogas no município de Oiapoque levou o conceito de companheirismo longe demais ao ser preso — e algemado — lado a lado, após uma tentativa frustrada de fuga em conjunto.
A operação foi deflagrada por volta das 12h pela Polícia Militar, sob o comando do Subtenente Emerson Costa. A equipe foi checar denúncias recorrentes de vizinhos de que uma residência na periferia da cidade funcionava como “drive-thru” de entorpecentes, operado por um homem conhecido pela alcunha de “Bala” e por sua esposa.
Ao chegarem ao local, os policiais encontraram as portas escancaradas. No imóvel, Maycon Willian Castro (o “Bala”) e sua companheira, Daylana Balieiro Baia, foram pegos de surpresa.
A abordagem começou tensa. Maycon apresentou resistência passiva, mas a revista pessoal logo revelou o motivo do nervosismo: o bolso de sua calça jeans guardava um verdadeiro “combo” de entorpecentes, contendo porções de maconha, cocaína e crack.

Durante a abordagem, os policiais encontraram porções de maconha, cocaína e crack, além de dinheiro trocado e material usado no preparo das embalagens. Fotos: divulgação
Sem ter como negar, o suspeito admitiu abertamente aos PMs que tinha acabado de buscar a mercadoria para revenda.
Com a autorização do proprietário para a entrada na casa, a equipe deu início à busca domiciliar. Foi quando a parceira entrou em ação.
Apavorada, Daylana tentou improvisar um esconderijo de última hora para notas de dinheiro e mais porções de maconha, mas a manobra não passou despercebida pelo Cabo Bonini, que encontrou os valores e o restante do material escondidos no armário.
Além de maços de dinheiro trocado e um aparelho celular — devidamente preservado para a perícia —, a polícia apreendeu papelotes prontos para comercialização, um saco maior com maconha e um artefato inusitado: um pedaço de cano de PVC utilizado artesanalmente para prensar e embalar as drogas.
A reviravolta digna de comédia ocorreu logo após a voz de prisão. Demonstrando sintonia no crime, o casal decidiu que era uma boa ideia tentar escapolir juntos pela porta dos fundos. A investida durou poucos segundos até ser interceptada pela equipe policial.
Para evitar um novo capítulo da corrida e garantir a segurança da condução, a PM acionou o protocolo de contenção: algemas em ambos.
Imagens gravadas logo após o flagrante mostram o casal caminhando algemado pela rua de terra batida da comunidade.
Maycon e Daylana foram apresentados no CIOSP de Oiapoque, juntamente com o celular, o dinheiro e o kit do tráfico, onde permanecem à disposição da Justiça para responderem pelo crime de tráfico de drogas — desta vez, devidamente separados pelas grades.
