Por RODRIGO ÍNDIO, de Macapá (AP)
O sentimento de consternação e o clamor por justiça deram o tom da despedida do major da Polícia Militar do Amapá (PM-AP), Anderson Fernandes, sepultado no fim da manhã desta segunda-feira (28) no Cemitério São José, localizado no bairro Santa Rita. O oficial, que exercia a função de subcomandante do 1º Batalhão da PM, foi morto a tiros na manhã do último domingo (27), após uma confusão em um bar na Avenida Padre Júlio, na capital. Três policiais penais foram liberados após depoimento, e um permaneceu preso.
O corpo do militar foi velado no ginásio do Comando-Geral da Polícia Militar, onde autoridades, colegas de corporação, amigos e familiares se reuniram para prestar diversas homenagens ao longo da noite e da manhã. Os momentos mais marcantes da cerimônia foram tomados pelo choro ininterrupto e pelo abalo emocional dos familiares, especialmente da mãe da vítima e de seus cinco filhos — com destaque para as filhas menores, visivelmente comovidas a todo momento.

Caixão foi levado pelo Corpo de Bombeiros…Fotos: Rodrigo Índio/Portal SN

…e acompanhado por um grande cortejo de colegas de farda

Cortejo chegou ao cemitério com honras

Momento de forte angústia antes do último adeus. Fotos: Rodrigo Índio/Portal SN
Durante as homenagens, relatos emocionados de parentes próximos expuseram a dor da perda e ressaltaram o perfil humano e protetor do major. Em um dos discursos que comoveram os presentes, o filho do policial relembrou o aprendizado deixado pelo pai.
“Foi um bom professor, um bom marido, acima de tudo um bom pai. Ele que me ensinou tudo o que eu sei. Ele me ensinou minha primeira conta de matemática, meu primeiro dois mais dois, como tratar uma garota. Queria agradecer a ele, espero que ele descanse em paz”, declarou o jovem.
A mãe do oficial, segurando a bandeira do Brasil dobrada e profundamente abalada, externou o orgulho pela trajetória do filho e fez um apelo por um desfecho no caso.
“Meu filho era muito querido, eu vi agora como ele era querido. Ele era muito bom, bondoso até demais. Agora quero justiça”, desabafou sob lágrimas.

Mãe do major: “vi agora como ele era querido”

Filho: “Me ensinou tudo o que sei”

“Vou carregar a minha farda e a sua”, disse a irmã também militar
A irmã do major também prestou seu tributo, destacando o elo profundo entre os dois e prometendo amparo à família deixada pelo militar.
“O sentimento de ser tão ligada a ele que até o último suspiro dele eu estava com ele. Prometo, meu irmão, que vou carregar a minha farda e a sua. Obrigada por ter sido esse irmão maravilhoso… Pode ter certeza de que nós vamos cuidar dos seus filhos como você cuidou”, assegurou.
O momento de orações e homenagens no Comando-Geral encerrou-se sob uma intensa e demorada salva de palmas ao redor do caixão, antes de o cortejo partir em direção ao Cemitério São José, onde o sepultamento foi realizado com honras fúnebres militares.
O major Anderson Fernandes ingressou na Polícia Militar do Amapá em 2011 e construiu sua carreira na corporação até assumir o subcomando do 1º BPM, deixando um legado de serviço público e cinco filhos.

Salva de tiros foi a última homenagem da corporação

