Por SELES NAFES, de Macapá (AP)
O debate de ontem (30) da Rede Amazônica entre Clécio Luís (União) e Antônio Furlan (PSD) foi dominado por acusações de ambos os lados, quase sem propostas. Questionado repetidamente sobre a suposta ligação com o crime organizado e a nomeação de faccionados para cargos de confiança na Prefeitura de Macapá, Antônio Furlan (PSD) evitou entrar no assunto todas as vezes em que o tema foi provocado por Clécio Luís (União). O governador, por outro lado, foi acusado por Furlan de obedecer ao senador Davi Alcolumbre (União), que seria seu patrão.
“Meu patrão é o povo, e não a facção. Meu lado é da polícia e do povo”, respondeu Clécio.
Durante quase 1h30, os dois candidatos deixaram as propostas de lado e focaram em comparar modelos de governo e trocar acusações. O confronto começou quente logo no primeiro bloco, quando Clécio questionou Furlan sobre suspeitas de desvios na saúde e seu afastamento da prefeitura na 6ª operação da Polícia Federal, a Paroxismo.
O ex-prefeito não respondeu e passou a criticar o senador Davi Alcolumbre (União) por uma suposta ascendência política sobre o governador. Furlan afirmou ser perseguido, referindo-se às operações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, e citou a implantação do Instituto de Pediatria como exemplo mais bem-sucedido de sua gestão na saúde como prefeito, além da construção de uma UPA.
O candidato do União respondeu que o instituto foi inaugurado sem condições de funcionamento e que a UPA foi a Lélio Silva, no Buritizal, que já existia e estava equipada para atendimentos de urgência desde sua gestão na prefeitura. E lembrou que entregou 6 hospitais, além do Centro de Radioterapia, e está prestes a entregar mais 8 unidades de internação.
Em todos os blocos com temas sorteados e temas livres, cinco assuntos sempre voltavam à tona: facções, desvios do Hospital Municipal, influência de Davi Alcolumbre, Amprev e Macapaprev.
Furlan não apresentou nenhuma explicação específica para os desvios mencionados no relatório da Polícia Federal. Clécio voltou ao assunto e citou seis operações policiais, além de cobrar esclarecimentos sobre mais de R$ 3 milhões supostamente recebidos em propinas. O candidato do PSD acusou Clécio de pertencer à “turma do atraso”, que estaria há 36 anos governando o Estado.
Crime organizado
A discussão sobre as nomeações de faccionados voltou a ganhar força no terceiro bloco, quando Clécio iniciou a leitura de uma lista de criminosos nomeados pelo então prefeito.
“Eu nomeava pessoas. Não tinha um serviço de inteligência para investigar quem seria nomeado”, respondeu o candidato do PSD. O ex-prefeito respondeu com críticas aos índices de violência do Amapá e tentou inverter o debate mencionando uma suposta ligação do filho do caseiro do secretário de Segurança com facção.
Clécio questionou a mensagem transmitida aos jovens quando pessoas apontadas como integrantes do crime organizado recebem cargos públicos. Em outro momento, Furlan mencionou o delegado Estéfano (Draco), seu apoiador, como uma espécie de avalista de que ele nunca havia sido identificado como uma pessoa ligada ao crime organizado.
“Minha equipe já deve ter colocado na minha rede social essa declaração”, disse Furlan. Clécio informou que deixaria na redação da Rede Amazônica todas as provas de que Furlan tem ligações com o crime organizado e que é investigado por isso.
Preparação para o Petróleo
Além das operações policiais e das suspeitas envolvendo faccionados, o debate teve confrontos sobre obras, concursos públicos, os recursos da Amprev e da Macapaprev e a preparação do Estado para a exploração de petróleo.
Furlan disse que fez um acordo com a prefeitura de Macaé (RJ), onde existe exploração, para usar a experiência da cidade carioca. Clécio disse que Macaé é o pior exemplo de uso dos royalties do petróleo e que o prefeito local chegou a ser afastado. Clécio citou a construção de rodovias e incentivos à instalação de três portos que já estão operando, além da qualificação de 5 mil alunos em cursos profissionalizantes em áreas que serão estimuladas pelo petróleo. Furlan disse que o Amapá não se preparou para o momento do petróleo.
Nas considerações finais, Clécio fez um resumo do governo e da falta de respostas de Furlan sobre operações policiais e facções. Furlan encerrou falando em perseguição à sua família.
