Por LEONARDO MELO, de Macapá (AP)
Os focos de calor aumentaram no Amapá e já chamam atenção neste período de estiagem. Dados públicos de monitoramento apontam crescimento dos registros em diferentes municípios do estado, acendendo o alerta para o risco de queimadas e incêndios florestais.
O cenário preocupa porque o Amapá entrou justamente nos meses em que o tempo fica mais seco e o fogo pode se espalhar com mais facilidade.

Coordenador alerta para avanço dos focos durante a estiagem. Fotos: Leonardo Melo/SelesNafes.com
“Calçoene chama muita atenção. No ano passado, entre agosto e setembro, o município apresentou somente quatro focos de calor. Este ano, no mesmo período, já são 84 registros”, destaca Diego Furtado, coordenador da Coordenadoria para Clima e Serviços Ambientais da Secretaria de Meio Ambiente do Estado.
Uma das suspeitas para as condições deste ano é a influência do El Niño. O fenômeno foi confirmado em 2026 e os órgãos de meteorologia apontam possibilidade de temperaturas acima da média e redução das chuvas em áreas do Norte do país. Essa combinação deixa a vegetação mais seca e aumenta o risco de propagação do fogo.
Mas o clima não explica tudo. Segundo o INPE, a maior parte das queimadas na América do Sul está ligada à ação humana, como limpeza de áreas, preparo de terrenos e queimadas não autorizadas. E é importante lembrar que foco de calor não significa necessariamente um incêndio confirmado: trata-se de uma detecção feita por satélite de uma área com temperatura elevada.

Calçoene concentra atenção no monitoramento do fogo
Diante desse cenário, o Governo do Amapá está discutindo novas estratégias de prevenção e controle do fogo durante as oficinas para construção do Plano de Manejo Integrado do Fogo. A preocupação é evitar que o aumento dos focos se transforme em incêndios maiores, principalmente nos municípios que já aparecem com os maiores números.
“O Plano de Manejo Integrado do Fogo busca combater queimadas ilegais e descontroladas e prevenir incêndios florestais por meio de ações de educação, prevenção, monitoramento, controle e autuação. Quando necessário, também prevê o uso controlado do fogo nos períodos iniciais de estiagem”, explica Diego Furtado.
