MP Eleitoral pede cassação de candidatura de Furlan por uso de verba pública para atacar adversários

Ação, ajuizada nesta quinta-feira (1º), cita mensagens, 343 movimentações financeiras e pagamentos relacionados à publicidade da Prefeitura de Macapá
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Por SELES NAFES, de Macapá (AP)

O Ministério Público Eleitoral (MPE) acusa o candidato ao governo do Amapá Antônio Furlan (PSD) de ter sido o principal beneficiário de uma estrutura abastecida com recursos ligados à publicidade da Prefeitura de Macapá para promover sua imagem e atacar adversários políticos. A acusação consta em uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) ajuizada nesta quinta-feira (1º) contra ele e outras 13 pessoas no TRE do Amapá.

De acordo com a ação, a suposta milícia digital reunia agentes políticos, comunicadores, páginas digitais e empresas de publicidade. A acusação descreve uma cadeia que teria direção política, coordenação editorial, produção e distribuição de conteúdos, além de relações contratuais e pagamentos vinculados à publicidade municipal. Segundo o MPE, a finalidade seria beneficiar eleitoralmente Furlan e desgastar seus adversários.

A investigação começou a partir de declarações prestadas pelo ex-servidor comissionado Gleidson Alves Barros à Polícia Federal, em fevereiro deste ano. Ele entregou voluntariamente seu telefone celular e revelou a existência de grupos de servidores municipais chamados de “artilheiros”, pagos com dinheiro da prefeitura para criar os conteúdos. Para o MPE, as conversas encontradas no aparelho revelariam divisão de tarefas, definição de pautas e circulação coordenada de materiais entre comunicadores e páginas na internet.

Entre os diálogos citados na ação, Jonatas do Nascimento, o ‘Fabuloso‘, teria proposto a criação do perfil Ispia Amapá e, depois de aumentar a audiência da página, conseguir “botar ela na prefeitura”, com divisão de valores.

Gráfico Portal SN

Diego Trajano: Coordenação editorial

Juarez Menescal: pautas, roteiros e aprovação dos conteúdos

Felipe Paixão é associado pelo MPE à coordenação diária do Portal 1Norte e à distribuição de conteúdos. Em uma conversa sobre a Amprev, ele teria orientado que se falasse a verdade, mas que fosse omitido “o que é positivo”.

Jean Bambam, por sua vez, é relacionado à encomenda de uma arte depreciativa contra o governador e candidato à reeleição Clécio Luís (União) e à expectativa de receber o “pagamento da comunicação”.

Rodrigo Sales: Produção e difusão

Jonatas Nascimento, o “Fabuloso”, a mesma função

Caminho do dinheiro

A investigação também acompanha o caminho do dinheiro. Segundo a ação, uma agência de publicidade ligada à publicidade municipal realizou 343 movimentações para 40 destinatários, num total de R$ 2,27 milhões. O MPE também descreve 20 transferências para a Alô Produção, que somaram R$ 1,47 milhão. A própria Procuradoria ressalva, contudo, que os R$ 2,27 milhões não são integralmente apontados como recursos desviados e que o recebimento de dinheiro, isoladamente, não significa participação no suposto esquema. 

Fabuloso propôs criação de perfil “pra botar na prefeitura”

Antes da nova ação, uma decisão cautelar de 21 de maio já havia autorizado buscas, acesso a dados, quebra de sigilos e a suspensão de 10 contas ou perfis investigados. Na ocasião, pedidos de prisão temporária foram rejeitados.

Ao final da AIJE, o MP Eleitoral pede que a Justiça reconheça a ocorrência de abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação social. Em relação a Furlan, a Procuradoria pede a cassação do registro de candidatura ou do diploma, além de inelegibilidade por oito anos. As mesmas consequências são requeridas para outros responsáveisA ação está em fase inicial e os pedidos ainda serão analisados pela Justiça Eleitoral.

Seles Nafes
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